CONFAP contra a redução de alunos por turma

Estão em apreciação no Parlamento duas petições em defesa da redução do número de alunos por turma. Uma da iniciativa do STOP, que abrange também outras reivindicações, e a outra de um grupo de professores que tem como primeira peticionária Ana Rita Lagoas Dias.

Instada a pronunciar-se, a Confap desvaloriza a importância da constituição de turmas mais pequenas, quer tendo em conta o contexto da pandemia em que estas iniciaitivas surgem, quer as questões pedagógicas subjacentes a um modelo de ensino diferenciado e personalizado que quase todos defendem, mas que nem sempre existem condições para pôr em prática. A começar pelo factor mais determinante, a atenção individualizada, que só pode ser dada a todos os que precisam se a turma tiver uma dimensão adequada.

O número de alunos por turma pode ter impacte no rendimento, sendo que este depende muito do professor e dos alunos da turma. A CONFAP tem defendido que a constituição das turmas deve ser da responsabilidade da escola, no âmbito da sua autonomia e da autonomia dos alunos. Alunos com mais dificuldades podem precisar de grupos mais reduzidos e outros com mais autonomia podem constituir-se em grupos maiores. Além disso a aprendizagem entre pares também pode ser vantajosa. Não nos parece, sobretudo na situação de pandemia em que vivemos, que a redução de 1 ou 2 alunos por turma vá resolver o problema.

Na busca de argumentos para defender o indefensável, e depois de considerarem irrelevante reduzir um ou dois alunos por turma, afirmam, logo a seguir, que turmas mais pequenas iriam obrigar a construir novas escolas ou originar falta de vagas nas escolas de proximidade. E recorrem claro, ao falso argumento, que os estudos sérios que se fazem sobre o assunto e a experiência de milhares de professores refutam diariamente, de que não há correlação entre o tamanho das turmas e o sucesso escolar. Claro que há, e não é pouco, sobretudo em países, como Portugal, onde há um esforço imenso, a fazer nas escolas, para contrariar as carências e desigualdades de base que surgem como factores preditores e determinantes do insucesso escolar.

Fica uma vez mais evidente, e isso deve ser dito claramente, que a CONFAP está muito longe de defender, se é que alguma vez o fez, os verdadeiros interesses dos alunos e das suas famílias. Há uma promiscuidade de interesses entre governantes e confapianos que se exprime nesta constante troca de favores: os pais do regime caucionam as más políticas educativas em troca de tratamento preferencial para a confederação e, quando oportuno, para os seus dirigentes.

Estas más práticas são especialmente evidentes com o PS no poder. Um partido que nunca conseguiu implantar-se no sindicalismo docente, apesar do elevado número de professores tradicionalmente situados na sua área política, vem influenciando fortemente, há anos, a mais conhecida, mas não a única, confederação de associações de pais. Depois de muitos anos de bons serviços, o pai Albino retirou-se para a presidência da Assembleia Municipal de Gaia, cortesia dos eleitores socialistas do município. Será 2021 o ano da ascensão autárquica do seu sucessor?

6 thoughts on “CONFAP contra a redução de alunos por turma

  1. Sem surpresa. A CONFAP responde a outros interesses que não o dos alunos. Este é apenas mais um indicador que a máquina está bem oleada, para desgraça daqueles que a CONFAP diz proteger, os alunos.

    Gostar

  2. A CONFAP, dirigida atualmente pelo ascensor e antes pelo saloio do Albino, tem os filhinhos na bolha. Os outros não lhe interessam nada, logo o que defendem é o seu narcisismo e as vantagens de todo o tipo que pode retirar da aliança com o poder político.

    Gostar

  3. A Confap vive dos subsídios dos governos, não passa de uma correia de transmição do poder. Ladrão conforme o dono manda.
    Trabalho meritório faz a Cnipe que defende verdadeiramente a escola e vive das cotizações dos seus associados.

    Gostar

  4. E quando era importante algum discernimento, vem-nos mais uma vez a Confap com argumentos de merde e de boste.

    Merde (francês) e boste ( do verbo bostar) é para rimar com o “impacte” que aparece no texte da Confape.

    Impacte usa-se , mas …

    Gostar

  5. Colocar a redução de alunos por turma, no contexto da pandemia ou fora dela, na fasquia de um ou dois é
    das mais admiráveis idiotices que ouvi até hoje. Reduzir o excesso de alunos por turma a uma escala dessa grandeza é gozar com quem trabalha, quer na perspectiva do professor – quando se confronta com a distracção, a indisciplina e as dificuldades inerentes ao processo ensino-aprendizagem – quer na perspectiva do aluno – quando este quer aproveitar a aula mas não o consegue fazer porque a esta descambou para a indisciplina e a brincadeira – e em ambos os casos o número de alunos por turma conta, sempre… e não é de certeza só com a garra do professor que resolvem os problemas.
    Como não será jamais com estas confederações fantoches, cujo protagonismo só é visível enquanto lambe-cus das políticas educativas em vigor.
    Já agora qual o contributo desta em particular para a melhoria do ensino em geral, qual o seu nível de empenhamento em propor medidas que minimizem a indisciplina e a violência nas escolas? com a co-responsabilização familiar incluída no pacote?
    E as perguntas poderiam nunca mais acabar…

    Gostar

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.