Computadores para professores? Não há, nem vai haver…

Nada de novo na frente educacional: alunos e professores enfrentaram, no último ano lectivo, o desafio da escola digital. O confinamento imposto ditou o recurso àquilo que apropriadamente se chamou um ensino remoto de emergência. De início pouco mais existia do que empenhamento e vontade de aprender, mas rapidamente o sentido de responsabilidade e o profissionalismo dos professores permitiram erguer e manter em funcionamento planos de ensino à distância que, se estiveram longe da perfeição – aliás inalcançável num modelo de escola de massas não presencial – também não foram o fiasco que alguns vaticinaram.

Quem não esteve à altura das suas responsabilidades foram os responsáveis ministeriais, demonstrando que a retórica neo-eduquesa em torno das competências digitais não passa de conversa da treta. Serve de mote para denegrir os “professores do século XX” mas não motiva o ME a fazer a sua parte, para que as tecnologias educativas do século XXI cheguem efectivamente às escolas portuguesas.

Felizmente a comunicação social vai começando a perceber o embuste, antecipando uma maior percepção, pela opinião pública, do zero à esquerda que são as políticas educativas deste governo. E e até Filinto Lima, fiel ao estilo ziguezagueante das suas intervenções públicas e sempre atento às mudanças do vento, já vai sentindo a necessidade de ajustar o discurso…

Na perspetiva de Filinto Lima, “o ministério devia dar indícios de distribuição de computadores para professores e escolas”. “Somos mais de 100 mil professores, nem um teve a título de empréstimo facultado pelo Ministério da Educação”. “Se o professor não tem direito a uma cedência temporária é desmotivador para algumas pessoas”, completa.

Segundo o presidente da ANDAEP, tanto professores como alunos reforçaram “as competências digitais” e recorrem “cada vez mais ao digital”. No entanto, à chegada às escolas, “os computadores são os mesmos, não são melhores”, assegura Filinto Lima.

Como muitos docentes não têm possibilidades de trabalhar a partir de casa vão para as escolas, uma situação relatada por Filinto Lima, mas que também já tinha sido denunciada pela FENPROF.

Apesar de tentarem contornar o problema de não terem material suficiente em casa para trabalhar, os professores não têm mais sorte quando se deslocam à escola sendo que as condições dos materiais informáticos nas escolas não são de grande qualidade, segundo a ANDAEP

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