Professores desconfinados em manchete no DN

O documento intitulado “Carta aberta dos professores desconfinados à força”, refere-se aos docentes que, por exemplo, só têm um computador em casa, a ser partilhado pelos filhos que também estão em ensino à distância. “E tanta preocupação com a desigualdade e, no caso dos professores com filhos (ou que só têm recursos para um computador para a família toda, para continuarem a trabalhar) porque é que o seu “patrão” não cumpre a lei e não lhes entrega material para trabalhar, para que não tenham de escolher entre o estudo dos filhos e o trabalho?”, questionam os autores da carta.

O DN sabe que, nas reuniões entre diretores de agrupamentos e o secretário de Estado da Educação, João Costa, o responsável foi questionado sobre de que forma estes responsáveis teriam de atuar nos casos em que os professores que não têm, não podem ou não querem usar o seu material para dar aulas . “O secretário de Estado disse que aqueles que não têm condições para estar em teletrabalho têm de ir para as escolas”, explicou ao DN um dos diretores presentes na reunião.

Uma luta inoportuna, dirão muitos. No entanto, a exigência de que o Estado forneça aos professores das escolas públicas as mesmas condições para o teletrabalho que impõe aos empregadores privados está a fazer o seu caminho entre a classe docente e até, espantosamente, na opinião pública, tendo chegado hoje à primeira página do DN.

A verdade é que fornecer computadores, ligações robustas à internet e outras infraestruturas necessárias ao ensino online aos professores em teletrabalho em nada interfere com o combate à pandemia, não perturba o funcionamento dos hospitais nem cria constrangimentos ao plano de vacinação contra a covid-19. Os que dizem que agora a reivindicação não é oportuna são, regra geral, os mesmos que acham que tudo o que soe a acção reivindicativa nunca é oportuno. Sobretudo se o seu partido estiver no poder.

Há um ministério inteiro para tratar dos assuntos da Educação, e se este não faz o seu trabalho, inventando problemas e complicações que ninguém pediu em vez de resolver os constrangimentos reais que comprometem o funcionamento do sistema e agravam as desigualdades no acesso à Educação, é preciso que se saiba. Se, para salvar a face dos incompetentes que não prepararam um segundo confinamento mais do que previsível, obrigam professores a violar as leis do Estado que impõem o teletrabalho obrigatório, esta condenação a sair de casa e eventualmente “apanhar covid” precisa de ser denunciada.

Mesmo sendo certo que a maioria dos professores não levantam grandes objecções ao uso do seu próprio equipamento ao serviço da profissão, isso não os deve impedir de reconhecer o direito que assiste aos colegas que, pelas mais variadas razões, não podem ou não querem usar os seus computadores. Muito menos devemos compactuar com o misto de displicência, insensibilidade e arrogância com que os responsáveis do ME têm tratado esta questão.

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