Alunos e famílias rejeitam computadores do ME

O Ministério da Educação comprou computadores para garantir que todos os alunos estão preparados para estudar a partir de casa, neste novo período de confinamento. Contudo, nem todos os pais aceitam os equipamentos atribuídos aos alunos abrangidos pela Ação Social Escolar, no âmbito do programa Escola Digital.

O Jornal de Notícias avança que os pais rejeitam os computadores devido às condições de utilização exigentes. Citado pela mesma publicação, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) sublinha que a recusa é justificada «por não se quererem responsabilizar por um equipamento que não é deles».

O acordo proposto pelo Ministério da Educação passa pelo empréstimo do computador com a obrigação de ser devolvido, mais tarde, em boas condições. Na Escola Secundária de Canelas, em Gaia, por exemplo, haverá «uma sala cheia de computadores ainda dentro das caixas» por isso mesmo, segundo adianta o diretor desse estabelecimento de ensino. Ao Jornal de Notícias, indica que aguardam resposta do Estado sobre como proceder.

Com as vacinas anti-covid deu-se o contrário: de início ninguém as queria, duvidava-se da sua eficácia e temiam-se os seus riscos. Quando se tornou evidente que, nos próximos meses, chegarão apenas para uma pequena percentagem da população, passaram a ser desejadas por todos.

Já os muito desejados computadores para os alunos, esses estão a ser rejeitados por muitos dos que a eles teriam direito. O que se torna ainda mais notório se tivermos em conta que, nesta fase, apenas estão a ser distribuídos PCs a alunos carenciados do ensino secundário.

Sabendo-se da escassez de computadores em relação às necessidades existentes, não é drama nenhum que alguns alunos os não queiram: mais ficam para os verdadeiramente necessitados. Antes de criticar os alunos ou as suas famílias, olhando-os como “pobres e mal agradecidos”, interessa perceber que muitos destes jovens dispõem já de acesso a um computador, uma necessidade imposta pelo confinamento escolar no ano passado e a que muitas famílias corresponderam, nalguns casos com sacrifício.

Por outro lado, e embora existam razões técnicas que o justifiquem, estes computadores – que são apenas emprestados, não oferecidos- não têm as mesmas potencialidades e versatilidade dos que são comprados: os estudantes não conseguirão instalar livremente os programas e aplicações da sua preferência.

Finalmente, recorde-se que quando este plano para equipar digitalmente a população escolar foi apresentado, a ideia era que estes computadores permanecessem na escola, sendo aí usados pelos alunos. Só em caso de necessidade seriam levados para casa. Foi a pandemia veio fazer desta possibilidade uma necessidade absoluta, no contexto das aulas não presenciais.

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