E daqui a 15 dias?

Todos os estabelecimentos de ensino estarão encerrados nas próximas duas semanas. A pergunta para a qual todos os responsáveis do sector procuram agora resposta é outra: o que acontece depois destes 15 dias? O Governo não antecipa cenários, mas as associações de directores e a Confederação das Associações de Pais (Confap) concordam que o regresso às aulas presenciais deve ser faseado, dando prioridade aos alunos mais novos.

A opção tomada pelo Governo era a que tinha sido defendida pelos representantes dos pais nos últimos dias. É uma “boa solução para serenar os ânimos e ganhar forças”, sintetiza o presidente da Confap, Jorge Ascenção. A proposta que a associação fez chegar ao Ministério da Educação apontava também para um retorno gradual dos alunos às escolas. Um regresso de todos os estudantes seria “precipitado”, defendem.

Os representantes dos directores concordam com a ideia, antecipando que dentro de duas semanas “dificilmente existirão condições sanitárias” para voltar a uma situação semelhante à desta semana, afirma Filinto Lima da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

O cenário “ideal” para a Confap seria o regresso dos alunos do 1.º e 2.º ciclo às aulas presenciais a partir de 8 de Fevereiro. Os colegas mais velhos, do 3.º ciclo e do ensino secundário, mantêm-se em ensino à distância por mais algum tempo. Caso a evolução da pandemia não o permita, terá que haver “uma nova alteração ao calendário lectivo”, defende Jorge Ascenção.

A notícia do Público de ontem é duplamente reveladora. De onde saiu a brilhante ideia de parar o ano lectivo, introduzindo duas semanas de férias forçadas e confinadas e obrigando as escolas a compensar as aulas que o ME as proíbe de dar com o sacrifício das férias escolares? A Confap, demonstrando uma vez mais ter uma visão muito tendenciosa e limitada do quotidiano escolar, apresenta-se como a principal suspeita. A organização de pais não esconde o seu contentamento nem a influência que continua a ter nos bastidores ministeriais.

Por outro lado, a pseudo-solução encontrada, não só quebra o ritmo das aprendizagens e complica a gestão do calendário escolar, como se limita a adiar o problema que agora não se quis enfrentar: ninguém acredita que daqui a duas semanas os números alarmantes da pandemia tenham descido substancialmente, ao ponto de permitir o regresso seguro às aulas. A opção pelo ensino à distância, que agora não se quis assumir, surgirá nessa altura como uma necessidade incontornável, pelo menos para os alunos mais velhos.

Será então altura de os arautos governamentais que agora glorificam a escola presencial descobrirem, uma vez mais, as maravilhas do ensino remoto e do novo mundo digital…

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