Educação sem plano B

Perder aulas presenciais, formação, educação e socialização entre os jovens é mau? Sim, é péssimo. Mas perder a saúde ou perder a vida e fazer que os pais e os avós possam também ver a vida em risco seria bem pior. Hoje a cada seis segundos um português é infetado.

O que as famílias têm muita dificuldade em entender é por que razão não se repete a experiência do ensino online. Mesmo correndo o risco de alguma desigualdade social – porque nem todas as crianças têm computadores, apesar das promessas do governo -, no primeiro confinamento o ensino à distância funcionou e também aconteceu de um dia para o outro. Quem não tinha computador acompanhou pela RTP, que fez um trabalho extraordinário e emitiu uma espécie de tele-escola dos tempos modernos. Professores e alunos adaptaram-se, ajustaram-se e conseguiram. Hoje não seria preciso reinventar a roda nem começar do zero, bastaria repetir a receita que correu bem em março e que ajudou crianças, adolescentes, jovens adultos e famílias a manter (parte) das suas vidas e o ensino. Tal como na saúde, na educação também não havia um plano B preparado? Parece que não.

Escrevendo a propósito da paragem completa das actividades escolares forçada pela pandemia, a cronista do DN toca num ponto fulcral: a eterna incapacidade dos nossos dirigentes em melhorarem com a experiência adquirida, aprenderem com os erros, ouvirem as pessoas, estarem atentos às necessidades do país e aos sinais, anseios e inquietações dos governados.

Como é que o segundo governo de António Costa, que mantém quase todo o pessoal político do anterior, consegue governar pior do que o primeiro, acentuando as falhas e os defeitos iniciais e mostrando-se incapaz de se renovar, fazendo melhor e diferente?

Porque é que temos de estar sempre a reinventar a roda, em vez de consolidarmos o saber e o saber-fazer que fomos adquirindo?

Como se justifica esta bipolaridade doentia com que se olha a escola digital, oscilando entre o 8 e o 80, entre o deslumbramento com as novas tecnologias e o “conhecimento na palma da mão” e a rejeição total do ensino a distância, mesmo como solução de recurso possível e viável, ainda que temporária e de alcance limitado?

Na Educação, a incompetência e a desorientação são particularmente evidentes, como por estes dias ficou amplamente demonstrado…

One thought on “Educação sem plano B

  1. Como já aqui tinha deixado a minha opinião, concordo com o que é escrito pela cronista do DN.

    No ano passado, a quase totalidade dos meus alunos respondeu muito bem ao que lhes foi pedido para fazer. Diria que apenas 2 ou 3 alunos se mostraram renitentes em participar. Duas turmas do 10º ano, 2 turmas do 11º ano, 1 turma do 12º ano e outra turma do 11º ano (curso profissional). Todas as turma com 26-30 alunos, à excepção da turma do curso profissional, com 15 alunos.
    Usámos a plataforma moodle e o email da turma. Apenas.
    Deu muito trabalho, mas o resultado foi muito bom dadas as circunstâncias. Houve tempo para um feedback individual após cada actividade enviada, e as dúvidas eram esclarecidas no chat ou fórum.

    No início deste ano, a escola manteve este plano B operacional ,e os professores e alunos e famílias tiveram tempo para se adaptarem melhor a esta ferramenta. Foi uma mini formação sobre as potencialidades disponíveis.

    Bem sei que foram turmas do ensino secundário, com alunos responsáveis e interessados.
    Bem sei que esta foi a minha experiência pessoal.

    O que não entendo é agora esta recusa no e-learning numa situação como esta que vivemos.

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