Fenprof defende confinamento escolar

Face à gravíssima situação epidemiológica que se está a viver, à opinião consensual dos especialistas (epidemiologistas, virologistas, intensivistas, especialistas em saúde pública ou matemáticos) e à inépcia do governo para criar as condições indispensáveis ao ensino presencial em segurança, a FENPROF considera que, enquanto durar um confinamento que se pretende geral, as escolas não podem continuar a ser exceção e também deverão encerrar, contribuindo, dessa forma, para travar e inverter o rumo da pandemia. Os números da pandemia em Portugal, tanto de infeções, como de óbitos, assim o justificam. 

Apesar das promessas, o governo pouco fez para superar as dificuldades identificadas durante o período em que as escolas encerraram e o ensino se desenvolveu a distância. 

Conscientes dos défices que se agravarão com o recurso ao ensino remoto, mesmo que seja uma situação excecional e temporária, os professores estão disponíveis para procurar atenuar esses prejuízos, haja vontade política do governo para melhorar as condições e reforçar os recursos das escolas. Com esse reforço, tais problemas poderão ainda ser atenuados e mesmo revertidos. Já em relação aos problemas de saúde pública, as consequências podem ser irreversíveis. E a questão é que, neste momento, o país está à beira de uma enorme tragédia.

A Fenprof veio ontem, finalmente, demarcar-se do grande consenso que o primeiro-ministro alegou existir, no sector da educação, em torno da escola presencial. É verdade que a Fenprof afirmou reiteradamente que nada substitui a escola presencial – algo com que a generalidade dos professores concordará. Mas também exigiu condições de segurança sanitária que o ME sempre recusou: turmas mais pequenas, mais professores, técnicos e auxiliares ao serviço, testes sistemáticos à população escolar, informação permanente sobre a situação epidemiológica que se vai vivendo nas escolas, vacinação prioritária para os profissionais da educação.

A verdade é que o Governo quis e quer, teimosamente, fazer das escolas abertas o símbolo de uma normalidade que há muito não existe e de uma vitória sobre o medo da pandemia, uma guerra que está longe de ser ganha. Mas nunca olhou seriamente para tudo aquilo que envolve o regresso seguro às aulas. Por outro lado, a situação sanitária assume níveis catastróficos. As escolas podem não ser o epicentro da pandemia, mas a verdade é que com as aulas a funcionar são mais de dois milhões de portugueses que saem de casa, envolvendo-se em contactos de proximidade com muito mais gente do que os que pertencem à sua bolha.

No ponto de descontrolo a que deixámos chegar a evolução da pandemia, não faz sentido a obstinação com as escolas abertas. Mais um mês de escola em casa, num percurso escolar de doze anos, não trará prejuízos que não possam ser reversíveis. Muito menos será uma tragédia minimamente comparável à dos milhares de mortos que a pandemia já provocou entre nós.

3 thoughts on “Fenprof defende confinamento escolar

  1. Escolas fechadas ?

    Face à iminência de ter de aturar os filhos em casa dias seguidos, a Laurinda, irmã da dona Laura, tem já preparado um plano de contingência que, diga-se , nada tem de original : ” . . . mando a canalha para a residência oficial do Primeiro-Ministro, como fez o sr. João Miguel Tavares numa greve de professores. Porra! Se ele é jornalista eu trabalho na Junta de Traseiras de Judas e também pago a décima ” .

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  2. Os comentadores do costume, continuam a afirmar que no ano passado não houve 3ºperíodo lectivo.

    Meia-verdade: 11º e 12º anos tiveram aulas presenciais. Não me lembro se o 9º teve ou não.

    Houve exames nacionais e tudo. E os resultados foram muito bons.

    Irrita-me isto!
    Que aborrecimento!

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