Faltaram afectos aos professores

Imagem daqui.

O candidato presidencial João Ferreira considerou hoje que o actual chefe de Estado distribuiu “muito mal” os “conhecidos afectos” e que os professores são uma classe profissional “para a qual claramente faltaram afectos” nos últimos cinco anos.

“Acho que este é um belíssimo exemplo de que os conhecidos afectos daquele que actualmente ocupa o cargo de Presidente da República foram muito mal distribuídos. É o exemplo de uma classe profissional para a qual, claramente, faltaram afectos ao longo destes anos”, disse à agência Lusa o candidato apoiado pelo PCP e pelo PEV, depois de uma reunião com a Federação Nacional dos Professores, em Lisboa.

O também eurodeputado comunista e elemento do Comité Central do partido considerou que esta falta de “afectos numa dimensão simbólica” imputada a Marcelo Rebelo de Sousa foi acompanhada pela carência na “valorização da profissão de professor”, assim como no “combate à enorme precariedade que ainda prevalece” nesta profissão.

Enquanto não reúne com o ministério – a primeira reunião ao fim de quase um ano de interregno está marcada para amanhã – a Fenprof conversou hoje com João Ferreira. À saída , o candidato presidencial apoiado pelo PCP aproveitou para criticar uma presidência de muitos “afectos” e poucas realizações. É certo que o cargo presidencial não tem poderes executivos nem deliberativos, mas ainda assim João Ferreira pensa, como muitos professores, que o presidente Marcelo poderia ter usado mais e melhor a sua influência política a favor da valorização profissional da classe docente.

Mário Nogueira, pelo lado da Fenprof, secundou esta ideia de abandono dos professores por parte dos órgãos de soberania, Presidente da República incluído. Mas é claro, acrescento eu, que nem será do lado presidencial que advirão as maiores queixas dos professores. Todos sentem o quotidiano desprezo que o ministério que tutela a classe nutre por ela, e que se manifesta não só nas orelhas moucas às suas reivindicações profissionais como na própria política educativa, toda ela construída, não com os professores que a põem em prática, mas contra eles. Quanto ao Parlamento, nem é bom lembrar as teatradas em torno da recuperação do tempo de serviço e como todos os principais partidos encontraram formas de se desentender para permitir ao Governo levar a sua avante, frustrando as aspirações dos professores.

One thought on “Faltaram afectos aos professores

  1. Se bem me lembro, os professores raramente são valorizados. É uma sina, sei lá. Deve ser deste espirito de missão que sempre nos quiseram grudar à pele e que fomos aceitando.
    Estou talvez a ser injusta, esquecendo-me do texto hipócrita do comentador João Miguel Tavares que, se bem me lembro, se intitulava “Obrigado, professores!”
    A propósito de continuarem firmes e hirtos que nem uma barra de ferro a ensinar presencialmente, online e em modo misto. Nada de espantar de quem pôs os filhos ao cuidado do 1º ministro por alturas de uma greve de professores.

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