Incapacitação digital

Já perdi a conta às inúmeras tentativas, da parte do ME, de formar e certificar, ao nível de competências digitais, os docentes portugueses. Normalmente são projectos ambiciosos, respaldados em avultado “envelope financeiro” de origem europeia, durando enquanto não se acaba o dinheiro nem esmorece o entusiasmo dos seus mentores.

É nesta linha que surge, no âmbito da recente Resolução do Conselho de Ministros n.º 30/2020, a definição de uma agenda para a transição digital, que inclui a capacitação dos docentes para o uso das novas tecnologias em contextos educativos. O que nunca se tinha visto, julgo eu, era um plano que deliberadamente exclui os docentes da educação pré-escolar do público-alvo das formações…

A FENPROF tomou conhecimento da informação enviada pelo Diretor-Geral de Educação aos diretores e presidentes de CAP de agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas sobre o Plano de Capacitação Digital de Docentes, tendo verificado que são excluídos os do “ensino” pré-escolar referindo-se, decerto, aos educadores de infância, docentes de educação pré-escolar.

Relendo a Resolução do Conselho de Ministros n.º 30/2020, designadamente no que respeita ao programa de digitalização para as escolas, em ponto algum se vislumbra motivo para a exclusão dos educadores de infância do plano de formação de docentes (Plano de Capacitação Digital de Docentes) e nem o facto de não se prever a distribuição de computadores às crianças dos jardins de infância pode ser considerada razão para tal exclusão.

Há educadores de infância que recorrem ao meio digital em atividades que organizam e desenvolvem, mas, ainda que não o fizessem, destinando-se todo o programa a promover literacia e inclusão e, como refere a DGE/ME, na informação enviada às direções de AE/ENA, sendo a primeira etapa, a decorrer durante o mês de janeiro, “fundamental para que os docentes possam participar, posteriormente, em formação específica e, deste modo, promover o seu desenvolvimento profissional”, não se compreendem os motivos da exclusão dos docentes de educação pré-escolar.

Muitos têm sido os educadores que contactaram os sindicatos de professores da FENPROF manifestando forte descontentamento por esta discriminação, de facto, incompreensível. No entanto, antes de tomar qualquer posição pública e admitindo que exista uma razão atendível – que não se vislumbra –  para a exclusão de alguns docentes de um plano que se afirma orientado para a promoção da inclusão, a FENPROF solicitou uma informação sobre a decisão que foi transmitida às escolas, declarando, desde logo, que, na sequência do esclarecimento que venha a ser recebido (ou na sua ausência), tomará posição.

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