A Educação dirigida por um professor

O Presidente eleito Joe Biden apresentou na quarta-feira Miguel Cardona como seu nomeado para Secretário da Educação, chamando “brilhante” ao Comissário da Educação do Connecticut e dizendo que desempenhará um papel fundamental nos esforços da sua administração para reabrir escolas forçadas a funcionar online devido à pandemia do coronavírus.

Cardona, cujos pais se mudaram de Porto Rico para Connecticut, será outro latino de alto perfil no Gabinete, se confirmado pelo Senado dos EUA. Biden disse que Cardona “compreende que as raízes profundas da desigualdade que existem como uma fonte das nossas persistentes diferenças de oportunidades. Ele compreende o poder transformador que advém do investimento na educação”.

Cardona disse que, como comissário da educação, pai com filhos na escola pública e antigo professor da escola pública, ele compreende como este ano tem sido um desafio para estudantes, educadores e pais.

O percurso académico, profissional e político de Miguel Cardona espelha bem os profundos contrastes e contradições, mas também as oportunidades, que caracterizam o american way of live: para ser um estudante bem sucedido teve de se esforçar, desde criança, para dominar o inglês, que não era a sua língua materna; fez os seus estudos em escolas públicas, iniciou uma carreira de professor e foi um dos mais jovens directores escolares do seu estado antes de assumir funções dirigentes na administração educativa estadual.

Em suma, um professor e gestor escolar que assume o seu percurso profissional no ensino não superior público e um cidadão consciente da importância da escola pública na promoção da igualdade de oportunidades e na construção de uma sociedade mais justa. E também um defensor assumido da escola presencial, mas posta a funcionar, em tempos de pandemia, em plena segurança.

É muito cedo para tecer maiores considerações sobre o novo secretário, que ainda nem posse tomou. E sabemos como é frequente expectativas elevadas e irrealistas em relação a novos governantes converterem-se em amargas desilusões. Mas não deixo de notar o que teríamos a ganhar se, em vez dos usuais carreiristas e paraquedistas que têm dominado a cúpula do ME, tivéssemos pessoas com perfil semelhante na liderança da Educação em Portugal.

Por cá, a fasquia para a selecção do ministro que tutela a pasta é sempre, como sabemos, colocada muito baixa: em quarenta e tal anos de democracia, já passaram pelo cargo professores universitários, economistas, engenheiros, advogados e investigadores, a grande maioria com pouco ou nenhum conhecimento das realidades do sector. Mas nunca a escolha recaiu sobre um professor do básico ou do secundário. Diria até que essa condição tem sido, em governos de todas as cores políticas, impedimento absoluto para o exercício da função…

One thought on “A Educação dirigida por um professor

  1. A reforçar:

    “Por cá, a fasquia para a selecção do ministro que tutela a pasta é sempre, como sabemos, colocada muito baixa: em quarenta e tal anos de democracia, já passaram pelo cargo professores universitários, economistas, engenheiros, advogados e investigadores, a grande maioria com pouco ou nenhum
    conhecimento das realidades do sector.”

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