Avaliação semestral

A divisão do ano lectivo em dois semestres em vez dos tradicionais três períodos evidencia, nesta altura do ano, uma das suas vantagens: o final de período decorre sem stress, uma vez que não se fazem agora reuniões de avaliação.

Neste modelo, um primeiro momento de avaliação, de natureza essencialmente qualitativa, decorreu já em Novembro. E os alunos têm as primeiras notas apenas no final de Janeiro.

A experimentar este ano o novo calendário avaliativo, que surge como opção das escolas no âmbito dos Planos de Inovação, posso considerar a experiência, até ao momento, positiva. Pelo menos enquanto os órgãos directivos e pedagógicos não se empenham em ligar o grelhador e insuflar no sistema uma carga extra de burocracia avaliativa, em torno de avaliações intermédias, grelhas, relatórios, sínteses, planificações, apreciações globais…

E mantenho a crítica que apontei desde o início: sendo uma opção potencialmente vantajosa, as escolas deveriam poder optar incondicionalmente pela avaliação semestral, sem serem obrigadas a adquirir o pacote completo do “Plano de Inovação” nem a prestar vassalagem aos burocratas ministeriais que decidem a aprovação dos planos. Desta forma…

Em vez de ser uma opção livre e responsável das comunidades escolares, a organização semestral está a funcionar como um rebuçado que o ME oferece discricionariamente a quem aceite caucionar, ainda que parcialmente, as suas más políticas educativas.

7 thoughts on “Avaliação semestral

  1. Caro António Duarte,

    Nunca irei entender a vantagem da divisão do ano letivo em dois semestres em vez dos três trimestres. É melhor prestado o serviço educativo? Qual a razão pedagógica?
    Para além disso, e a título de exemplo, o Agrupamento de Escolas Latino Coelho de Lamego encontra-se organizado em semestres e têm a decorrer as reuniões de avaliação tal como nas escolas com organização trimestral, ainda por cima, pasme-se, em regime presencial.
    É sempre bom lembrar que não existe legislação diferente para cada uma das organizações, a única que existe diz assim: Artigo 25.º, Formalização da avaliação sumativa, 1 — A avaliação sumativa formalizada no final de cada período tem…

    Boas Festas.

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    • Caro Rui, acho que a organização semestral, só por si, não faz milagres. Se uma escola opta pelos semestres e anda a fazer reuniões de avaliação antes do Natal, sabendo que o semestre só acaba daqui a um mês, a razão por que o faz é para mim incompreensível.

      O que eu e os meus colegas temos notado, num agrupamento que adoptou os semestres mas sempre tentou gerir com algum bom-senso as questões da avaliação, é que esta organização do calendário, ao alongar os períodos avaliativos, permite ganhar tempo para diversificar instrumentos e processos de avaliação, distribuir melhor os testes e outros trabalhos escritos e desligar o calendário escolar do religioso: ficamos com dois períodos de duração semelhante, o que não acontecia anteriormente.

      À partida está a correr bem, tanto quanto é possível num ano como este, mas ainda é cedo para tirar conclusões…

      Boas Festas!

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      • Caro António Duarte,
        Não encontro na argumentação nada que se associe às técnicas de intervenção pedagógica com consequências positivas para a maximização do tempo potencial de aprendizagem. Onde vê vantagem na situação de ter dois períodos de duração semelhante?
        Sobre as reuniões de avaliação antes do Natal nas escolas com semestres dizer que a legislação tem de ser cumprida, ou seja, têm que ocorrer. E isto diz bem da benevolência pedagógica da medida que é nada! Caso fosse isso seria de esperar que as escolas com semestres passassem a ser geridas por um aditamento jurídico que, simultaneamente, as retirasse da obrigação de realizar as reuniões no final de cada período (conforme o calendário do OAL) e as permitisse realizar as ditas reuniões no final de cada semestre. As escolas têm de cumprir a lei e a lei diz: 2 — A avaliação sumativa traduz a necessidade de, no final de cada período letivo, informar alunos e encarregados de educação sobre o estado de desenvolvimento das aprendizagens.
        Mas há mais (Portaria do Secundário): 5 — A avaliação sumativa de disciplinas com organização de funcionamento diversa da anual processa-se do seguinte modo: a) Para a atribuição das classificações, o conselho de turma reúne no final do período de organização adotado. Ou seja, muito bem, reúne no final do semestre para atribuir a classificação. O tanas! Logo a seguir lá vem outra vez a obrigação: 6 — Na organização de funcionamento de disciplinas diversa da anual não pode resultar uma diminuição do reporte aos alunos e encarregados de educação sobre a avaliação das aprendizagens, devendo ser garantida, pelo menos, uma vez durante o período adotado e, no final do mesmo,…. Ou seja, se não fizerem as reuniões antes do Natal vão ter de as fazer noutro momento até janeiro para somar à última (em janeiro). Assim, a argumentação de terem mais tempo para diversificar os instrumentos de avaliação não é válida. É bem pior porque encurta o período de necessidade de realização das reuniões.

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        • Da avaliação semestral não podem resultar menos momentos de avaliação, é verdade. O que a maioria das escolas fazem, tanto quanto sei, é estabelecer duas avaliações qualitativas a meio dos semestres, mais duas avaliações quantitativas no final. Ao todo, quatro momentos anuais de avaliação. E a autonomia dada às escolas para gerir o calendário permite introduzir pausas lectivas durante os períodos das avaliações.

          Na prática, tudo depende muito do que as escolas fizerem com as avaliações intermédias. Podem transformá-las num pequeno inferno burocrático ou seguir moldes semelhantes ao que já se fazia no âmbito da recolha de informação periódica para os enc. de educação.

          Quanto, ao desequilíbrio na duração dos períodos, estou-me a lembrar nomeadamente daqueles anos em que a Páscoa ocorre tardiamente e o 3º período fica reduzido, nalguns anos de escolaridade, a pouco mais de um mês.

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          • Não posso estar mais de acordo quando o António Duarte refere que tudo depende das escolas, claro que sim.
            O problema da educação não está no tipo de organização, longe disso. Desde logo nos fatores externos à escola a que os políticos, aí sim, se deviam concentrar. A diminuição das diferenças socioeconómicas tem valor maior para a educação do que qualquer outra componente.
            Perguntar-me-á, então e na escola não há mudanças a fazer? Claro que há, trabalhar na disciplina (EAEE), combater o facilitismo (currículo), acabar com este regime de gestão (RAAG), promover uma formação inicial e contínua de professores capaz, romper com este modelo Kafkiano da ADD (cotas), deixar de considerar a escola como uma empresa (análises SWOT e objetivos MATRIX), diminuir ao mínimo a burocracia.
            Bom Natal!

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          • Inteiramente de acordo, Rui.
            A organização trimestral ou semestral é um pormenor, e a sua discussão não nos deve iludir acerca dos problemas estruturais da educação.

            Bom Natal!

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  2. A organização semestral do ano escolar é uma medida que me pareceu correcta, para variar.
    Sem grande experiência sobre esta semestralização, socorro-me da experiência e da prática da organização em 3 períodos lectivos, regidos pura e simplesmente pelo calendário religioso. Um 1º período grande (sem a outrora semana de pausa tão importante), uma avaliação formativa em Novembro e outra já a seguir em Dezembro. A correria e o trabalho que tudo isto acarreta é estéril. Cumprem-se procedimentos.
    No 2º período acontece o mesmo. E no 3º acontece o resto com aferições, exames e tudo o mais.
    Uma hipótese de práticas pedagógicas mais diversas e sérias perdem-se na pressa em chegar a uma classificação final de período e contradiz tudo o que se pretende.
    Isto é estúpido.

    Agora, outra coisa é o que as escolas admitem fazer- um efectivo melhoramento para todos, num ritmo adequado, ou um mix psicadélico alucinante amontoando o péssimo de cada modelo organizativo.
    Em escolas onde ainda se oiçam os intervenientes, o modelo semestral funcionará bem; nas outras do come e cala, dos lambe-cús, é um aborrecimento.

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