PCs a conta-gotas e prioridades trocadas

Os prometidos computadores para todos os alunos e professores começam, lentamente, a chegar às escolas. De promessa em promessa, de adiamento em adiamento, o último compromisso assumido pelo Governo era o de entregar os aparelhos até final do primeiro período, a todos os alunos carenciados do ensino secundário. Mas, ao ritmo a que estão a acontecer as entregas, a promessa deverá ficar por cumprir.

Tal como ontem referi a propósito das aulas da telescola, que não têm qualquer utilidade num contexto de ensino que se quer inteiramente presencial, também não vejo grande sentido num programa que pressupõe a distribuição massiva de computadores aos alunos, para utilização em casa, quando os alunos passam os dias na escola. Ainda mais caricato se torna quando sabemos que o parque informático escolar está obsoleto: a maioria dos equipamentos têm mais de dez anos e a disponibilidade de computadores continua a diminuir, à medida que os aparelhos vão deixando de funcionar. Num contexto de ensino presencial, e tendo em conta as flagrantes carências existentes, não faria sentido começar por reequipar as escolas?…

Os diretores das escolas queixam-se da demora na distribuição dos computadores prometidos em abril deste ano, mas o Ministério da Educação garante que a entrega dos 100 mil equipamentos estará concluída no final do primeiro período, cujas aulas terminam esta sexta-feira, sendo o seu encerramento formal apenas no final do ano.

Depois, até ao final do segundo período, avançou a tutela ao “Jornal de Notícias”, deverão chegar “mais 260 mil computadores”. A segunda encomenda já foi, aliás, adjudicada, acrescentou o ministério tutelado por Tiago Brandão Rodrigues.

Do lado das escolas, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores e Escolas Públicas (Andaep), refere que os equipamentos estão a chegar a “conta-gotas” e que o processo “é moroso e burocrático”. Além disso, alguns dos computadores que já chegaram aos estabelecimentos de ensino ainda não foram entregues aos alunos. A Setúbal, à Escola Secundária de Bocage, conta o “Jornal de Notícias”, chegaram 16 computadores, dos cerca de 150 previstos, mas nenhum foi ainda entregue aos jovens, já que é necessário configurá-los.

A promessa do Governo, de garantir igualdade no acesso aos equipamentos informáticos, está “longe de ser cumprida”, diz Filinto Lima, alertando para a falta de condições para enfrentar um eventual regresso ao ensino à distância, à semelhança daquilo que aconteceu a partir de março. Já Manuel Pereira, da Associação de Dirigentes Escolares, alerta para o facto de o programa não incluir a renovação dos equipamentos dos estabelecimentos escolares, cujo material está, em alguns casos, obsoleto.

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