Balanço (provisório) da greve do STOP

Colegas, como anunciámos, esta GREVE está em CRESCENDO e HOJE é o dia com maior impacto. 

Só em Coimbra temos conhecimento de pelo menos 4 escolas fechadas (imagem), mas também sabemos que esta greve encerrou Escolas em outras zonas do país (por exemplo, Amadora, Guimarães, Vila Franca de Xira, Oeiras, Sintra…), além de adesão de muitos Profissionais de Educação (pessoal docente e não docente). Tudo isso, apesar dos brutais ataques/calúnias contra esta greve. Por exemplo, recebemos a informação de Profissionais da Educação da E.B. 2,3 Secundária IBN Mucana (Cascais) de que, apesar de só estarem ao serviço 3 Assistentes Operacionais, mesmo assim, a Escola abriu (colocando em risco a segurança e a qualidade de todos que a frequentam em particular dos alunos).

Ao terceiro dia, o STOP faz um primeiro e breve balanço da greve, extensiva ao pessoal não docente, que convocou para esta semana. Com várias escolas encerradas em diversos pontos do país, esse balanço é claramente positivo.

Sendo um pequeno sindicato, com mais simpatizantes do que sócios, e sem as estruturas e meios de que dispõem as federações sindicais, o STOP tenta fazer a diferença ouvindo as bases e propondo formas de luta que, se por um lado se apresentam como mais ousadas e radicais do que as iniciativas dos sindicatos tradicionais, por outro deixam uma grande margem de autonomia para que, em cada escola, docentes e não docentes organizem a sua luta da forma mais adequada.

Claro que este modo de proceder, assente numa democracia de base e não em decisões de directórios sindicais, coloca muito maior responsabilidade sobre os ombros dos professores, associados ou não aos outros profissionais que trabalham nas escolas. O sucesso das lutas dependerá acima de tudo da sua união, organização e determinação. Tomando nas suas mãos esta responsabilidade, deixa de ser possível continuar a culpar o guião do sindicalismo tradicional, rotineiro e burocrático, pelo insucesso das lutas. Demasiado habituada a fazer dos sindicatos o bode expiatório das suas frustrações e derrotas, estará a classe docente preparada para assumir este enorme desafio?…

4 thoughts on “Balanço (provisório) da greve do STOP

  1. António Duarte, a marcação da última greve da Fenprof, para a próxima sexta-feira, foi antecedida, como sabes, de uma consulta dos professores. Professores que se pronunciaram, maciçamente pela greve. Isso tem acontecido muitas vezes como deves saber também. E mesmo quando as direções da Fenprof e dos seus sindicatos membros não fazem consultas desse tipo fazem outras não menos importantes, ouvindo os professores diretamente em reuniões sindicais e nas escolas todos os dias pois os dirigentes da Fenprof na sua esmagadora maioria dão aulas todos os dias. Por tudo isto acho que o que escreves desta vez não está correto, pelo menos na parte que toca à Fenprof. Quanto a outros sindicatos, todos sabemos que muitos deles têm tantos sócios como dirigentes, se é que têm. E a sua ação e pensamento ou são inexistentes ou ainda pior, são colados ao poder do momento.
    Quanto à pergunta com que encerras o teu texto eu responderei que não está, de facto. há fatores objetivos e subjetivos que fazem com que a nossa “classe” não seja uma “classe” e às vezes não tenha “classe” nenhuma. Mas há que insistir e todos sabemos que por vezes lá conseguimos disfarçar, isto é, lutando sem desistir pelo que é justo.
    Não quero perder mais uma oportunidade para te felicitar pela qualidade da tua intervenção já tão longa no espaço de opinião sobre professores e escola.
    Abraço
    Henrique Santos

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    • Caro Henrique, agradeço e tento esclarecer:

      Escrevi este post procurando colocar-me na perspectiva do STOP e das críticas que habitualmente fazem aos outros sindicatos, nomeadamente à Fenprof. Não foi meu objectivo esmiuçar essas críticas, nem subscrevê-las: sei que é hábito dos sindicatos da Fenprof ouvirem os professores que representam e mais, em mais de 30 anos de ensino, são os únicos sindicatos de professores que vi promoverem, com regularidade, reuniões sindicais nas escolas por onde andei. Também sei, e isso é referido menos vezes, que sendo a Fenprof uma federação de sindicatos as decisões resultam do consenso possível num colectivo alargado que inclui membros das várias direcções sindicais, com o que isso significa de posições e sensibilidades distintas.

      Mais importante do que uma eventual guerrilha sindical que não desejo alimentar é tentar perceber até que ponto os professores estão disponíveis para alinhar em formas de luta mais duras e ousadas. O STOP marcou greve para três dias desta semana, dando liberdade aos professores para se organizarem da forma que entendessem, fazendo greve os dias todos ou apenas nalguns ou concentrando esforços para fechar a sua escola num determinado dia. Eventualmente formando um fundo de greve para compensar as ausências dos funcionários – que são quem efectivamente consegue fechar escolas por motivo de greve. É evidente que uma acção deste tipo promovida pelas direcções sindicais seria alvo imediato de críticas. Mas diluída no basismo de um pequeno sindicato passa até despercebida, contando sobretudo o feito de conseguirem encerrar a escola.

      Já a Fenprof, que inicialmente também apontou para três dias de greve, acabou por ponderar e decidir marcar apenas um. A maioria dos professores que se pronunciaram mostraram-se favoráveis à greve. Mas estará a maioria da classe docente disponível para a fazer? É a este ponto que me interessa chegar, e ele transcende as questões meramente sindicais. Poderemos ter os melhores sindicatos e líderes sindicais do mundo, que pouco ou nada conseguirão se os professores não forem capazes de, eles próprios, lutarem pelos seus direitos.

      Abraço

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