Como dar mau uso a um telemóvel

O telemóvel na sala de aula veio para ficar? Na Escola da Boa Água faz as vezes do manual

Telemóveis, tablets e portáteis fazem a vez dos livros na Escola da Boa Água, na Quinta do Conde, uma das participantes do projecto-piloto do Ministério da Educação para avaliar o sucesso de deixar de lado os manuais escolares em papel.

Porque se insiste no erro, é importante reafirmar, alto e bom som, as vezes que forem precisas: transferir a leitura de um manual escolar para o ecrã de um telemóvel é uma má ideia. Está mais do que demonstrado que lemos, compreendemos e retemos mais e melhor informação quando o fazemos a partir do suporte em papel.

Os telemóveis poderão ter vindo para ficar, e certamente poderão ter o seu lugar na sala de aula. Mas é pouco inteligente usá-los em substituição dos manuais, em vez de tirar partido das suas reais potencialidades educativas.

Movido pela curiosidade, fui espreitar o site da Escola da Boa Água, para descobrir que é uma daquelas escolas que se atiraram de cabeça nos pseudo-modernismos educativos dos planos de inovação, abolindo as disciplinas curriculares e trabalhando com base em projectos, tutorias e trabalhos de grupo.

Os resultados é que ainda não convencem…

Fonte: Infoescolas

6 thoughts on “Como dar mau uso a um telemóvel

  1. Bem desmontado caro António Duarte.
    É a inovação da irresponsabilidade para com os neófitos.
    Para além de trazer problemas à leitura o uso dos telemóveis potenciam a distração. Do ponto de vista da cognição, a relevância vai para o exercício de leitura focalizada em papel.

    Gostar

  2. Os alunos que mais usam as tecnologias são os que apresentam piores resultados de aprendizagem.
    É o que concluem estudos credíveis como os da OCDE, testes PISA, e muitos outros, de especialistas vários. A que se soma o relatório “Comportamentos Aditivos aos 18 anos – Inquérito aos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional – 2018, do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) do Ministério da Saúde (https://www.cnpdpcj.gov.pt/documents/10182/14804/Comportamentos+Aditivos+aos+18+Anos/fd0085bd-bbb6-4c46-916a-33828d7b9f8b).

    Nele é referido que cerca de um quarto de jovens relata problemas com a internet, número que aumentou face a 2017. O tipo de problema mais comum é o “rendimento na escola/trabalho, seguindo-se as situações de mal-estar emocional e os problemas com comportamentos em casa.” Os problemas de rendimento na escola/trabalho são atribuídos por 15,9% de jovens à internet, por 4,4% às bebidas alcoólicas e 2,9% a substâncias ilícitas.

    Como professora, observo isto mesmo, todos os dias. Os alunos “agarrados” às tecnologias têm sempre a memória de trabalho cheia, nunca retêm o que ouvem nem o que leem. Não são capazes de pensar lenta e profundamente, São ansiosos. Não têm paz interior. Também já vi alguns perderem-se na vida com jogos on-line. Evoluindo para outras adições, passados poucos anos.

    Prontificam-se extasiados para encontrar uma resposta no Google, mas na hora de escrever o que querem, já não se lembram. Perdem-se nos distratores das máquinas. O tempo passa e a resposta não vem. Também porque não compreendem o que leem. Nem sabem escrever. Nem organizar o pensamento. Muito menos questionar, criticar e criar, como pretende o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, de 2017.

    Entretanto outro aluno, vai ao manual e encontra rapidamente a resposta. Explica-a, fundamenta-a com factos bem selecionados (relevantes), bem organizados e bem comunicados.

    Se assim é, se as tecnologias estão a hipotecar o futuro dos jovens e da sociedade, por que razão está, o Governo Português, a avançar com o Projeto de desmaterialização dos manuais? Quem ganha com isso? Valia a pena investigar.

    Negócios ruinosos, para o presente e futuro já há que chegue. Estes que se refletem nos alunos que estudam nas escolas públicas, à mercê de políticas sem fundamento à vista, é particularmente nefasto e imoral.

    Gostar

    • Subscrevo inteiramente.

      Basta andar pelas escolas, estar atento aos miúdos e ao que se passa à nossa volta e usar um pouco do tal pensamento crítico de que muito se fala mas pouco se pratica, para perceber as incongruências do discurso em torno das supostas literacias digitais.

      Gostar

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.