Fascismo ou tachismo?

André Ventura não é um fascista genuíno, muito menos o político “anti-sistema” que a propaganda chegana nos tenta apresentar. É, isso sim, um oportunista com poucos escrúpulos que um dia percebeu que nunca conseguiria fazer, no interior do PSD, um percurso à medida das suas ambições. E resolveu partir à conquista de um nicho do mercado eleitoral que existe um pouco por toda a Europa, que nos EUA foi decisivo na eleição de Trump, mas que em Portugal estava claramente por explorar: o do eleitorado descontente que se deixa seduzir pelo discurso autoritário e securitário, racista e xenófobo, conservador com laivos de saudosismo pelo anterior regime.

Isto não significa, atenção, que este protofascismo seja menos perigoso: além dos dissidentes do PSD e do CDS, o Chega dá guarida a diversos radicalismos de extrema direita, fomentando o discurso de ódio e encorajando as acções violentas, de neonazis e outros criminosos, contra minorias étnicas e sociais. Tal como outros populistas de direita, recorre à manipulação e à demagogia para aglutinar descontentes e alargar a sua base de apoio. Semeia ventos, mas não espera colher a tempestade. As vítimas seremos todos nós, os que permitirmos que os ideais fascistas derrotados em 1945 voltem a ter lugar na política do século XXI.

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