Assumir a diversidade

No cerne da já exasperante palavra “inclusão”, ainda há dois lados da barricada. Aqueles que olham para a deficiência e para as necessidades educativas especiais (NEE) como problemas que devem ser retirados da escola e colocados em instituições específicas para serem “tratados”. E aqueles que defendem que as instituições deviam ser extintas e todos os alunos, independentemente dos seus comprometimentos, em prol do máximo interesse do aluno, devem estar na escola. Pessoalmente, não me situo, de forma absolutamente gráfica, em nenhum destes lados e, claramente, muito menos no lado de erradicar crianças e jovens com necessidades educativas especiais das escolas. Como também reconheço a importância de existirem instituições para casos excepcionais.

Erramos muito ainda quando falamos de inclusão, aliás, todos os textos sobre inclusão falham redondamente quando assim se auto-intitulam, e falham redondamente porque o princípio deve ser sempre o da diversidade, o da assunção da diversidade. Falar de inclusão é a antítese do que queremos.

Maria Joana Almeida alerta para a preocupação obsessiva com a inclusão, um conceito que se tornou dominante nas políticas educativas para os alunos com necessidades educativas especiais.

A ideia de uma escola inclusiva, onde todos os alunos têm lugar, pode ser sedutora para os académicos distantes do quotidiano escolar e atraente para políticos e burocratas empenhados em uniformizar a rede escolar e conter os custos inerentes a respostas educativas mais especializadas e diferenciadas.

Contudo, como bem sabe quem trabalha profissionalmente com alunos com necessidades especiais, é impossível construir uma resposta educativa que sirva a todos satisfatoriamente. Cada caso é um caso, pelo que diferentes respostas devem ser construídas, tendo em conta as diferenças, o direito a ser diferente e a necessidade de educar para a aceitação dessas diferenças.

O respeito e a aceitação da diversidade, mais do que a inclusão vista como um fim em si mesma, devem ser aqui a palavra de ordem, como muito bem sublinha a autora do texto.

One thought on “Assumir a diversidade

  1. Atentado ao mais elementar bom senso – já nem digo inteligência : querer à má fila que uma criatura com um atraso mental – perdão, com um significativo défice cognitivo – consiga aprender matérias mais ou menos complexas como se de uma pessoa “normal” se tratasse. Com isto não se pretende dizer que devam ser abandonados à sua sorte, longe disso. Mas há barreiras que são intransponíveis, infelizmente.

    Surpreendente é alguém dar ouvidos a uns arautos da “inclusão” ( pachecos , arianas, rodrigues (david) e outros). Como são personagens que verdadeiramente nunca souberam o que é estudar, alguns até do liceu se livraram, julgam que tudo é fácil. Bastaria (bastará) misturá-los “na turma”, aplicar as salvíficas “medidas” ( universais, adicionais e não sei quê ) e está tudo resolvido. Quem dera!

    Vamos “mazé” tratar as coisas pelos seus nomes , deixando-nos de mistificações ou ridículo palavreado eduquês.

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