Covid na escola: modo de agir

A DGS estabeleceu um plano de contingência em março, mas houve uma “diminuição de exigências”, diz o presidente da Associação de Diretores.

O artigo da revista Sábado traduz, em linguagem corrente, o jargão técnico das normas e referenciais da DGS relativamente aos procedimentos a seguir nas escolas perante os casos, suspeitos ou confirmados, de infecção por covid-19.

Comparando com regras definidas em Março, no início da pandemia, há um notório aligeirar dos procedimentos. Ficará isto a dever-se, como alega a DGS, a um melhor conhecimento do vírus, da doença e da forma como se propaga, ou é apenas uma tentativa de poupar recursos de um sistema de saúde sobrecarregado, com cada vez mais profissionais doentes ou exaustos e, em muitas zonas do país, prestes a colapsar? Responda quem souber.

Nas escolas, quando aparecem positivos confirmados, o que se tem notado é que tanto se decide o confinamento total de umas turmas, como se determina que outras continuem com aulas presenciais como se nada fosse. Nem sempre as decisões das autoridades de saúde aparentam ser claras, lógicas e compreensíveis. E se os critérios mudam à medida que o conhecimento epidemiológico evolui, então já estou como Filinto Lima: quando houver mudanças, informem e esclareçam as escolas.

Do texto que venho comentando, perpassa a ideia de que só excepcionalmente será mandada para casa toda a turma quando aparece um aluno infectado. Tudo está dependente da avaliação feita pela delegação de saúde local, que poderá confinar apenas os contactos que considerar de maior risco. E aqui estará talvez o ponto fraco da nova estratégia: será que os médicos que farão a análise dos riscos estarão conscientes da variedade de interacções sociais e contactos de proximidade que ocorrem entre os alunos, sobretudo nos espaços de recreio e convívio?

Outra ideia algo temerária parece-me ser a decisão de dar alta, ao fim de dez dias e sem a confirmação por um teste negativo, a alunos assintomáticos ou com sintomas ligeiros da doença.

Em todo o lado onde o fenómeno tem sido estudado, constata-se um forte crescimento das infecções entre as crianças e, sobretudo, adolescentes, ao longo do último mês e meio – ou seja, desde que recomeçaram as aulas. Por cá, prefere-se não aprofundar muito a questão, minimizando o problema, restringindo o número de testes, ou não testando sequer, e limitando a pesquisa de possíveis cadeias de contágio relacionadas com o contexto escolar.

Uma jogada de alto risco, que tem tudo para correr mal…

One thought on “Covid na escola: modo de agir

  1. Nem mais! Apercebi-me que somos deixados ao deus dará logo quando um aluno testou positivo em turma a que lecciono História. Tudo ao deus dará!

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