Covid nas escolas, ponto da situação

ME teima em esconder a informação solicitada, como se a segurança e saúde no trabalho não fosse uma questão que diz respeito aos trabalhadores e, no caso das escolas, a alunos e famílias; entretanto, procedimentos continuam a variar muito de escola para escola e os testes continuam a não ser opção generalizada, num tempo em que crescem os números de alunos e profissionais em quarentena; isto enquanto são mantidas práticas que fazem aumentar o risco de contágio.

Neste momento, e quando a lista da Fenprof já vai em 350 escolas, já praticamente não deverá haver qualquer escola de média ou grande dimensão que não tenha casos positivos. E uma ou várias turmas em casa, em isolamento ou quarentena.

Já se percebeu que, na impossibilidade de controlar as cadeias de transmissão, se optou por aligeirar procedimentos e confiar na sorte, contando que a grande maioria dos casos entre os mais jovens sejam assintomáticos e não tenham assim de figurar nas estatísticas da doença, nem de entupir os serviços hospitalares. Mas é uma opção arriscada, que noutros países correu mal e poderá em breve vir a tornar inevitável um confinamento geral.

Desta forma, a realização de testes aos possíveis infectados deixou de ser regra e tornou-se excepção. Perante um caso positivo, os contactos de risco são mandados para casa, mas aqui o critério varia: por vezes é toda a turma que entra em confinamento, noutros casos apenas os alunos que se sentam mais próximo do colega infectado. Quanto aos professores, eles parecem ter adquirido uma espécie de imunidade profissional: em regra, não se considera a hipótese de estarem também infectados e de poderem, circulando por diferentes turmas, espalhar a doença pela comunidade escolar.

No regresso à escola, pior um pouco: como a ideia é confinar sem testar – o que ajuda a compreender, no imediato, a ligeira descida dos novos casos confirmados – será difícil garantir, sobretudo nos casos assintomáticos, que não irão tornar-se novos focos de transmissão.

Entretanto, o ME continua a apostar no secretismo, sem perceber que, na luta contra a pandemia, a informação rigorosa, dada em torno oportuno, é uma arma essencial – responsabiliza os cidadãos, afasta o pânico e o alarmismo, incentiva ao reforço das medidas de autoprotecção.

Claramente desorientado, o ME não foi sequer capaz de suspender esse absurdo das aulas assistidas em plena pandemia, que coloca professores a circular por outras escolas e a permanecer em salas de aula que não as suas.

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