Carta aberta a Graça Freitas

graca-freitasMuito oportuno o desafio que, em forma de carta aberta, o STOP dirige à directora-geral de Saúde: se acha que o distanciamento se impõe por decreto, sem atender aos meios existentes nem criar condições para que se possa fazer melhor, então venha visitar as escolas para perceber qual é a realidade concreta com que temos de lidar.

Em termos práticos, é muito simples: os alunos não estão “distanciados ao máximo” porque, quando foram pedidas condições para os distanciar, estas foram negadas. O que poupámos na contratação de uns milhares de professores e funcionários, em acrílicos e em mesas individuais, vamos pagá-lo em mais contágios, isolamentos, quarentenas e, eventualmente, novos confinamentos.

Aos inúmeros alertas dos professores e dos seus representantes, que em devido tempo denunciaram que o ano lectivo não estava a ser preparado da melhor forma, preferiu-se responder com ataques aos professores e sindicalistas: não querem reabrir as escolas, preferem continuar em casa a receber comodamente o salário sem terem de trabalhar com os seus alunos.

Feita a vontade de quem quis poupar dinheiro minimizando os riscos, a pandemia ressurge de forma galopante e as escolas, devido à concentração de alunos e à falta de distanciamento, ameaçam tornar-se focos de contágio. Não venham agora dizer que a culpa é, como de costume, dos professores.

Exma. Sra. Diretora-Geral da DGS,

perante as suas recentes declarações de que os “Alunos devem ser separados ao máximo nas Escolas” vimos por este meio informar que:

1. foram as orientações da própria DGS para as Escolas no presente ano letivo da “distância de 1 metro se possível”. Isto, infelizmente, tem permitido que muitas turmas continuem com 28 ou mais alunos e por consequência alunos sem qualquer distância, lado a lado, dentro de salas de aula (espaços fechados);

2. a DGS e o Ministério da Educação (ME) continuam a não responder à interpelação do S.TO.P. em inícios deste agosto sobre qual o fundamento científico para que as escolas tenham orientações completamente diferentes dos outros sectores profissionais na atual pandemia. Relembramos que para as escolas a distância a cumprir é de 1 metro “se possível” (o que tem permitido tudo) em contraste com o mínimo de 2 metros nos restantes sectores;

3. neste momento e com conhecimento da DGS e do ME, impera uma espécie de “lei da rolha” sobre muitas das Escolas onde surgiram casos comprovados da COVID-19. Temos conhecimentos de vários casos comprovados que não chegam à comunicação social. Relembramos que isso representa um perigo para a saúde pública na medida que a maioria dos alunos infetada não irá manifestar qualquer sintoma mas será um agente de propagação (representando um grande perigo para os grupos de risco da sua família e também dos Profissionais da Educação envelhecidos). 

Nesse sentido consideramos incompreensíveis as referidas afirmações porque precisamente pelas próprias orientações da DGS é que nas Escolas os alunos não têm conseguido “estar separados ao máximo”. 

O S.TO.P. desafia-a a visitar as Escolas do país real onde infelizmente continua a ser normal encontrarmos turmas com 28 ou mais alunos.

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