Contaminai-vos uns aos outros

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“Jovens, contaminem-se uns aos outros”, defende infecciologista francês

Olhando para a evolução da pandemia da covid-19 e para a forma como tem sido gerida a crise de saúde pública, percebe-se a necessidade de dar ouvidos aos especialistas do sector – médicos, cientistas, autoridades de saúde pública. Temos o exemplo de países, como os EUA ou o Brasil, onde a prevalência das decisões de políticos incompetentes conduziu à progressão descontrolada dos contágios e a um verdadeiro desastre epidemiológico.

Contudo, também se vai tornando evidente que, tendo em conta a complexidade das decisões e as pesadas consequências económicas e sociais que delas decorrem, não podemos as podemos deixar entregues apenas aos especialistas.

Depois de um confinamento que poderá ter sido, na opinião de alguns, excessivo, e com custos que a quase paragem da economia levará anos a superar, parece estar agora a ganhar força, de novo, a tese da imunidade de grupo. Expressa por vezes em formulações radicais e irresponsáveis, como a do epidemiologista francês que abre este post.

Como professor, tenho criticado muitas vezes, aqui e noutros lados, a tomada de decisões em matérias educativas sem se ouvirem os profissionais no terreno. Como se estes fossem meros executantes de políticas superiormente decididas, sem discernimento nem sentido crítico para compreender as necessidades dos alunos e quais as reformas realmente necessárias. Mas nunca me passaria pela cabeça exigir que fossem os professores a determinar a política educativa, indiferentes às necessidades e aspirações dos alunos, das famílias e da sociedade.

Em democracia, devem ouvir-se e fazer participar nas discussões e na construção de consensos os especialistas, os profissionais, os diversos intervenientes e destinatários das decisões. Mas deixar aos responsáveis políticos a responsabilidade de definir o rumo das políticas, acima de lobbies organizados, grupos de pressão influentes ou comités de sábios. No combate à pandemia, tal como na Economia, na Justiça ou na Educação.

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