Como será a escola em Setembro

covid-escola.JPGA porta está bem aberta para que o #EstudoEmCasa possa regressar em Setembro: a RTP diz que está “absolutamente disponível” e à espera de indicações e no Ministério da Educação estão a preparar-se os três cenários para o próximo ano lectivo, em que dois terão que passar pela transmissão de conteúdos educativos através da nova telescola. Tendo em conta que o ministro Tiago Brandão Rodrigues já admitiu que o objectivo do ministério é “poder continuar a ter soluções através da televisão que sejam universais, disponíveis logo a partir do início do ano”, é praticamente certo que a estação pública vai ser chamada de novo para ceder o seu ecrã.

Diversos cenários que têm sido projectados para o novo ano lectivo: aulas presenciais para todos ou só para os mais novos; regime de turnos e horários alargados para reduzir a concentração dos alunos; b-learning, com algumas aulas na escola e as restantes em modo não presencial; regresso da telescola. Contudo, as indicações do SE Costa aos directores têm sido bem mais simples e taxativas.

Assumindo-se cada vez mais como o verdadeiro ministro, em vez do outro que só o é nominalmente, tem exortado os directores a porem de parte as ideias mirabolantes que alguns têm andado a projectar. O que lhes diz é que esqueçam os desdobramentos de turmas, os regimes mistos, os reforços substanciais em meios materiais e humanos. A escola é para abrir em Setembro como sempre se fez, com as turmas repletas de alunos e  horários lectivos para cumprir integralmente, usando as mesmas salas, mesas e cadeiras que sempre se usaram. E recorrendo, naturalmente, aos mesmos professores.

Se correr mal – e será apenas uma questão de tempo até que apareçam os primeiros casos positivos à covid-19 – as escolas fecharão com a mesma facilidade com que abriram. Para reabrirem quando os riscos de contaminação tiverem desaparecido.

Neste modelo de escola intermitente, as maiores incógnitas residem na dimensão que assumirá a pandemia dentro de dois meses. Pois quanto a medidas efectivas para impedir os contágios, elas serão praticamente nulas: a máscara é a única protecção obrigatória, mas a sua eficácia é reduzida quando o distanciamento deixa de ser respeitado. E como será possível impedir que um aluno infectado contagie o colega de carteira? Ou que se contaminem uns aos outros, por exemplo, nos refeitórios?…

À cautela, o ME vai mantendo em prontidão a equipa do EstudoEmCasa, e promete mais computadores para as escolas, de forma a poderem ser emprestados aos alunos se houver novo confinamento.

Da muita parra que embeleza os arrazoados ministeriais, extrai-se assim pouca e fraca uva. Em vez de planos ambiciosos para corresponder ao desafio de ensinar e aprender, com eficácia, mesmo em tempo de pandemia, o ME restringe-se ao básico, admitindo apenas dois cenários:

  • Um plano A, com todos os alunos e professores nas escolas, a tempo inteiro, com se nada se passasse;
  • O plano B, com toda a gente metida em casa, a replicar um modelo de ensino a distância que já demonstrou as suas fragilidades e limitações.

Em bom português, os planos do Governo para o regresso às aulas, cingem-se afinal de contas a uma ideia muito simples: tudo ao molho e fé em Deus!…

One thought on “Como será a escola em Setembro

  1. O plano A e B do ME é um pouco como o pensamento de Lili Caneças, “Estar vivo é o contrário de estar morto”, sendo que esta última máxima é muito mais complexa do que o plano A e B.

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