Aprender menos e ter melhores notas

exame-ginasio.JPGOs professores do ensino superior alertaram esta segunda-feira para o risco de os alunos que este ano fazem os exames nacionais terem melhores resultados, mas estarem pior preparados para frequentar as universidades e institutos politécnicos.

No arranque da primeira fase dos exames nacionais, que este ano são facultativos e apenas relevam enquanto provas específicas para o acesso ao ensino superior, é expectável um panorama avaliativo diferente do habitual.

Como as notas dos exames – que tendem a ser inferiores às classificações internas dos alunos – não contam para a média final das disciplinas, o efeito imediato será um inflacionamento das notas finais.

Mas também as notas dos exames poderão ter tendência a aumentar, relativamente a anos anteriores. Isto mesmo assumindo que as condições atípicas em que decorreu o terceiro período condicionaram negativamente a consolidação de aprendizagens. É que, por um lado, a maioria das perguntas são opcionais, sendo consideradas apenas aquelas que os estudantes escolherem ou em que tiverem melhores resultados. A percepção geral, que o exame de Português hoje realizado parece confirmar, é a de que teremos este ano provas mais acessíveis.

Por outro lado, ao funcionarem exclusivamente como provas específicas, será menor o universo de alunos a avaliar. Os alunos que se inscreveram nos exames são, à partida, os que têm a ambição de se candidatar ao ensino superior e apenas se inscrevem em disciplinas que são essenciais para a área ou o curso que pretendem seguir, o que traz só por si uma motivação acrescida.

E eis as razões pelas quais 2019/2020 poderá muito bem vir a ser o ano lectivo em que menos se aprendeu, mas também aquele em que melhores notas se obtiveram…

8 thoughts on “Aprender menos e ter melhores notas

  1. Tenho algumas dúvidas em considerar este ano lectivo como o “ano em que menos se aprendeu”.
    Se o “aprender” é o decorar a toda a sela para os exames, talvez sim; caso contrário, lá está, tenho dúvidas.

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    • Questão interessante; eu não estava propriamente a pensar no decorar, mas em tudo aquilo que se pode fazer numa aula presencial e que em ensino remoto se torna difícil ou mesmo impraticável.

      Que o decorar até será a coisa que se faz melhor em regime de confinamento; o estudo com vista à memorização sempre foi sobretudo um trabalho de casa.

      Já o debater e confrontar ideias, a exploração colectiva de textos, imagens, vídeos, mapas, etc., o trabalho em grupo ou em pares – enfim, atividades típicas da sala de aula – essas ficaram irremdiavelmente prejudicadas com a suspensão das aulas presenciais.

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  2. E concordo consigo. A.D.

    Estava a ver a questão noutra perspectiva.

    A memorização é importante. Deveras importante.

    Mas quando ultimamente oiço “não se aprendeu nada”, tendo a sacar da pistola…..

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    • Para dar um tiro… em si?

      Aprendeu-se muito pouco e, nalguns casos, nada. É a realidade, o resto é conversa de neotonto.

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      • Referia-me ao ensino secundário.

        Tenho algumas dúvidas sobre o genérico “aprendeu-se muito pouco”. As evidências que tenho foram-me relatadas pelos meus alunos- um universo pequeno, é certo, mas que me deu alguns indicadores, e não me custa a acreditar que sejam mais alargadas.

        O António não tem dúvidas e assume a sua posição como “a realidade”.

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        • Não, não tenho dúvidas de que grande parte dos alunos aprendeu muito pouco ou nada. Houve exceções? Claro! Como em tudo!

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