Orientações para o novo ano lectivo

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Chamam-lhe Orientações para a organização do ano letivo 2020/2021, mas o documento é um verdadeiro plano de trabalhos para que as escolas acrescentem, a tudo o que já faziam antes, autênticos milagres de distanciamento físico em salas e com turmas que continuam com as mesmas dimensões que tinham antes da pandemia, de gestão de horários, enfiando numa manhã ou numa tarde as aulas que antes ocupavam o dia, de atender a uns alunos presencialmente e a outros por contacto remoto, sem esquecer aqueles que poderão estar em regime misto.

O mais degradante disto tudo é que o aumento de recursos que se disponibilizam, nomeadamente em crédito horário, é pouco mais do que simbólico. Em contrapartida, e como sucede sempre que o ME decide “orientar” as escolas, aumenta a carga burocrática que recai sobre os professores. Quase tudo tem de ser reportado e, nalguns casos, autorizado. E em vez de dar orientações mais precisas e comprometedoras, o ME prefere resguardar-se, dando às escolas autonomia para irem fazendo… Um presente envenenado, pois responsabiliza-as directamente por tudo o que venha a correr mal. Quanto ao ME, fará aquilo que, com a pandemia, se tornou regra obrigatória: lavar bem as mãos. Irá, obedecendo às instruções da DGS, lavá-las muitas vezes…

Do documento, que se pode descarregar a partir do link no topo do post, deixo os principais destaques:

  • Escolas e agrupamentos devem estar preparados para alternar entre regime presencial, não presencial e misto, consoante a evolução da pandemia e as indicações das autoridades de saúde pública;
  • O regime presencial é a situação desejável e deve ser mantida sempre que possível;
  • No caso de não ser possível manter todos os alunos na escola, é dada prioridade aos alunos do 1.º e do 2.º ciclo, aos que não têm em casa os meios e os apoios para estudar e aos que necessitam de apoios educativos que tenham de ser dados presencialmente;
  • Se for implementado o ensino não presencial, seguir-se-á uma rotina semelhante à que conhecemos este ano, com a elaboração de um plano de ensino a distância e a recolha semanal de evidências do trabalho e da participação dos alunos.
  • Haverá um reforço do crédito horário, traduzido na fórmula CH = 8 × n.º de turmas – 50 % do total de horas do artigo 79.º do ECD, que nos TEIP será um pouco mais generoso – o multiplicador 8 aumenta para 11;
  • O Apoio Tutorial Específico, uma invenção da equipa de João Costa cuja real utilidade continua por demonstrar, será no próximo ano alargado a todos os alunos que ficaram retidos;
  • Além do programa de tutorias, haverá também um programa de “mentorias”, com o qual se tentará que alunos com melhor aproveitamento ajudem outros em dificuldades – também aqui, o voluntariado inter pares fica mais barato do que contratar professores e técnicos de apoio…

3 thoughts on “Orientações para o novo ano lectivo

  1. Compreende-se o desconhecido, a dificuldade em prever. Mas, por isso mesmo, tudo devia ser mais ágil e descomplicado.
    A falta de confiança nas escolas é grande, como é grande o desconhecimento da vida na escola, e um emaranhado de intenções mais do que batidas aparecem.

    -Intervalos mais pequenos, mais aulas e apoios e mentores e uma miríade de papelada a criar e prencher que se avizinha, com calendarizações, registos, intervenientes, prazos, resultados e tudo o que se pode imaginar por experiência já passada e vivida.

    Uma altura perdida para se resolverem problemas que urgem ser resolvidos. A resposta é dada com
    mais do mesmo.

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    • O Twitter é uma rede social muito interessante para detectar tendências e seguir certos temas e debates que não chegam aos media. Todos podem interagir com quase todos, ou simplesmente seguir as discussões, sem estarem confinados à bolha dos “amigos”, como sucede em geral nas outras redes.

      Pelo que percebi, os alunos do Ribadouro queixam-se de não terem sido beneficiados nas notas como estariam à espera. Não sei se por o colégio se sentir apertado pela IGEC se por já não terem, na realidade, muito por onde puxar. Como é que se sobe um 20?…

      Em contrapartida, falava-se por lá de algo que também já ouvi noutros contextos, um “critério de avaliação” que terá sido informalmente seguido em muitas escolas secundárias, mas nunca assumido, preto no branco: quem fizer todas as tarefas pedidas e participar nas sessões síncronas ganha mais dois valores somados à nota do 2º período…

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