A moda do pisca-pisca

pisca-pisca.gifAntecipando cenários que estarão a ser criados para gerir o regresso às aulas em tempos ainda de pandemia, Rui Cardoso evoca a luz intermitente dos pirilampos para explicar o modelo de uma escola a funcionar em modo intermitente: presencial enquanto alunos e professores permanecem sãos, remota sempre que surgem casos positivos e turmas inteiras são mandadas para casa cumprir a quarentena.

Em vez de escola-pirilampo, eu diria antes que a moda do pisca-pisca, esse clássico da música pimba nacional, define melhor a política sem rumo que anda a ser seguida no combate ao covid-19, depois de já termos sido vistos como um caso modelar, em termos europeus, na contenção da pandemia. Uma desorientação que se reflecte, também, na Educação.

Este modelo é bastante simples. As escolas abrem o ano letivo de 14 a 17 de setembro normalmente, com todos os alunos, professores,  assistentes operacionais e técnicos. A DGS emitirá as medidas a respeitar dentro das escolas, circulação de pessoas, entradas e saídas, ajuntamentos no espaço exterior, uso obrigatório de máscara, higienização de mãos, turnos de almoço e por aí a fora… Mas nas salas de aula tudo funcionará como estamos habituados há tantos anos. O uso de máscaras e mais algumas medidas de pormenor terão de ser respeitadas, fora isso lá estaremos a dar o corpo às balas.

Até agora ainda não expliquei o nome “Pirilampo”, é o que vou fazer agora. Os “pirilampos têm uma luz intermitente e é assim que a escola vai funcionar, intermitentemente. Vamos à explicação prática. Numa escola, numa turma surge um caso positivo por COVID-19, essa turma é enviada para casa para cumprir o período de quarentena passando a Ensino Remoto de Emergência durante esse período. A restante comunidade escolar continua a frequentar, normalmente, a escola depois da mesma ser devidamente higienizada. No caso de surgirem vários casos de COVID-19, em várias turmas, a escola encerra para a devida higienização, os alunos e professores entram em “modo” de Ensino Remoto de Emergência pelo período de quarentena estipulado. neste segundo caso, os assistentes operacionais e técnicos entram em trabalho por turnos reduzidos podendo, nos casos possíveis, passar a teletrabalho. Quando o período de quarentena acabar, os elementos sãos da comunidade escolar regressam à escola, enquanto os que terão de permanecer confinados continuam em ERE.

O desnorte é bem visível quando políticos que não sabem estar à altura dos cargos que ocupam sacodem a água do capote, procurando bodes expiatórios que possam eximir os verdadeiros responsáveis a assumir as suas responsabilidades. Mesmo para quem é assumidamente leigo na matéria, há coisas óbvias que já deveriam estar feitas – reforçar transportes, fiscalizar condições de trabalho, testar grupos de risco, isolar eficazmente os infectados – mas que se continuam inexplicavelmente a adiar.

Se nada de substancial alterar nas actuais políticas e no laxismo que se está a instalar no combate à pandemia, a reabertura das escolas, já em Setembro, terá tudo para correr mal.

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