Exames regionais

Exames-740x416Os estudantes do ensino profissional vão fazer exames regionais para o acesso ao ensino superior, segundo avança o jornal Público. Estes alunos para quem foi criada em 2020 uma nova via de acesso ao ensino superior — com vagas específicas abertas pelas instituições e em alternativa aos exames nacionais — vão assim fazer provas organizadas por consórcios de politécnicos e universidades em três zonas do país: Norte, Centro e Sul. Cada região vai promover 14 exames regionais, tantos quanto as áreas científicas em que se organiza o ensino superior.

O presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Pedro Dominguinhos, disse ao Público que não faria sentido os alunos fazerem “provas em todas as instituições a que querem concorrer”. Assim, os alunos que querem concorrer a estas vagas, têm apenas de fazer um exame na universidade ou politécnico mais perto da sua zona de residência. A título de exemplo, um dos consórcios (o do Norte), junta os politécnicos de Bragança, Porto, Cávado e Ave e Viana do Castelo.

As instituições preferiam que o exames únicos a nível nacional, mas devido à atual situação, essa solução seria mais difícil de executar e fica adiada para o próximo ano letivo.

Apesar de estar a ser recebida com desconfiança, a solução agora encontrada para organizar o acesso às vagas reservadas aos alunos oriundos do ensino profissional faz todo o sentido.

Se cursos da mesma área, mas ministrados em escolas superiores diferentes, requerem os mesmos pré-requisitos de entrada, porque não fazerem o mesmo exame, em vez de andar cada um a trabalhar para seu lado? E se o estudante considera candidatar-se a mais do que uma instituição, prevendo a possibilidade de não obter vaga, não é preferível fazer uma única prova de acesso?

Pela minha parte, vou um pouco mais longe e afirmo o que me parece evidente: este sistema poderia bem aplicar-se a todos os candidatos às universidades e politécnicos do país.

Aos que defendem a perpetuação do actual sistema, injusto e discriminatório, de acesso ao ensino superior, com a desculpa da falta de alternativa, o sistema agora criado, ainda que feito para já numa base regional e destinado a um universo relativamente pequeno de alunos, parece bem mais justo e equitativo.

Um tema a que, certamente, voltaremos.

8 thoughts on “Exames regionais

  1. Curiosamente, o “consórcio do norte ” – Bragança -Viana do Castelo – congrega a-pe-nas os politécnicos dessa “região”.
    Compreende-se e saúda-se : é que as Universidades da dita “jurisdição” (UM e UTAD), não aceitam fazer parte da mixórdia.

    Creio – e espero – que nos outros “consórcios” aconteça o mesmo. Proteja-se , ao menos, a dignidade da velha instituição que dá pelo nome de Universidade.

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    • A maria vai-me desculpar, mas este “Proteja-se , ao menos, a dignidade da velha instituição que dá pelo nome de Universidade.” tem muito que se lhe diga, mas agora falta-me o tempo. Basta falar com estudantes universitários e ficamos a saber afinal o que é essa “velha instituição” e não é no sentido positivo do termo.
      Penso, aliás, que muito politécnico tem cartas a dar a muita dedstas “velhas instituições”, agora no sentido de velhas mesmo, cinzentas, teóricas, com professores catedráticos de idade avançada que por lá vão ficando a preencher os quadros, nunca mais tendo feito formação, investigação, ido a congressos, etc. À conta disso, tanto investigador e bolseiro com novas ideias e conhecimentos vão esperando para entrar nos quadros das tais de universidades.

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      • Seja em que circunstâncias for , tentar legitimar um erro a partir de outro hipotético ou imaginário “erro” é um … erro crasso. Chama-se em gíria (diria ) ” um não assunto) “.

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    • É normal que sejam os politécnicos a avançar (e há universidades com politécnicos integrados: Aveiro e Algarve), a maioria dos alunos dos profissionais é nestas instituições que faz o seu percurso.

      E a propósito da sanha contra os miúdos do profissional, lembro-me do André. Boa cabeça, mas sem o suporte necessário para aguentar o ritmo de uma secundária “clássica”, de família pobre. Meu aluno em 2005 no 10.º ano. Com dificuldades em acompanhar o barco e sem dinheiro para explicações 4 negativas (exceção num 17 a EF, 16 a economia, a adoração do rapaz, e 10 a matemática), entre as quais um seco 4 (em 20) a filosofia, atribuído por uma das criaturas mais frustadas com que me cruzei.
      O André viu que ali não tinha futuro e inscreveu-se numa escola profissional. 3 anos depois achou que podia ir mais longe. Sem exame de matemática foi para um CET numa privada. Daí partiu para a licenciatura em gestão de empresas na mesma instituição. Sempre como trabalhador-estudante e a dada altura só com bolsa. Finalmente deu o salto para a universidade pública no mestrado, na faculdade economia da universidade do Porto. Terminou-o com 17.
      Hoje, chegado ao 30, trabalha numa empresa vitivinícola. Já aufere bem mais do que a maioria de nós.
      Foi meu aluno 1 ano, mas tenho um imenso orgulho no percurso deste “puto”.

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      • O líder dos Super dragões tb fez o mestrado com 18 ou lá o que foi.

        O facto de o rapaz ser ótimo a economia não invalida que seja péssimo a filosofia.

        Já agora, desde quando uma andorinha faz a primavera?

        Nem tanto ao mar nem tanto à terra.

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        • É um caso raro, admito. Mas sem as outras vias de acesso ao superior, além do concurso nacional, dificilmente teria ocorrido.

          O líder dos super dragões fez o mestrado no Ismai.

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