Observar o negócio da Educação

edu-businessNo âmbito da iniciativa “Hoje Conversas. Amanhã és Pro”, tendo o tema da Educação como enquadramento, o Observador, numa parceira com o Santander, continua a reunir convidados de destaque, de várias áreas do mundo da Educação, para conversar sobre os diversos temas que nos assolam nesta nova fase na qual vivemos.

A segunda conversa virtual realiza-se já no próximo dia 5 de Maio, às 18h30, e será transmitida em direto aqui, no site do Observador, bem como nas redes sociais do site e do Santander.
A jornalista Laurinda Alves vai conversar sobre o tema A melhor escola do Mundo é a que não deixa ninguém para trás com quatro convidados de excelência,  que a partir de suas casas, vão partilhar as suas experiências e opiniões sobre o tema.

Dando continuidade ao modelo recentemente inaugurado vão estar connosco Pedro Almeida, CEO da Teach for Portugal, Maribel dos Santos Miranda-Pinto, Professora Universitária, Francisco Heitor, Director de Marketing Grupo Leya e Marcos Ribeiro, Director Santander Universidades.

A escola que não deixa nenhuma criança para trás é um velho slogan que tem sido adoptado à esquerda e à direita para afirmar a superioridade de determinadas políticas ou projectos educativos. Surge agora, em mais uma daquelas iniciativas que pretendem determinar o futuro da Educação – ou, mais prosaicamente, influenciar políticas educativas – excluindo da conversa os verdadeiros especialistas do sector: os professores dos vários níveis de ensino.

Na verdade, ninguém sabe como será exactamente a escola do futuro. Mas não lhe auguro grande sucesso se, como já se vai conseguindo nalguns lados, a conseguirem subjugar aos interesses dos bancos, dos grupos editoriais e dos empresários com olho para o negócio educativo. Esta é a escola do empobrecimento curricular, onde o “empreendedorismo”, a “literacia financeira”, as aprendizagens automáticas e padronizadas tomam o lugar do pensamento crítico e reflexivo e do conhecimento disciplinar sólido e estruturado. Uma escola low cost que, para ir ao passo de todos, levará todos a marcar passo.

Suma hipocrisia, esta é a escola do futuro que nem banqueiros nem jornalistas observadores quererão para preparar o futuro dos seus filhos.

7 thoughts on “Observar o negócio da Educação

  1. A pirueta do José Manuel Fernandes é de aplaudir: de defensor da escola retro (quem não se lembra dos editoriais do público por altura dos rankings?) passou a defensor da escola futurista, que outrora apelidaria de “eduquesa”.
    Aliás o termo “eduquês” desapareceu do discurso dos críticos da educação, bastou os novos pais de classe média/alta começarem a optar pelos colégios ditos alternativos (park internacional, Clips, etc.) e os religiosos “de topo”, que já estavam a ficar para trás, a irem a reboque dos “inovadores” Jesuítas da Catalunha para esta malta se converter toda.

    Gostar

    • À direita também existe há muito uma ala eduquesa, em torno da “escola dos afectos” do Matias Alves, dos observatórios do Joaquim Azevedo, até mesmo de certas posições de David Justino. Esta frente parece estar a ganhar uma nova amplitude.

      Mas aqui para os meus lados, o colégio das freiras e a escola internacional julgo que ainda continuam a ser valores seguros para a classe média/alta pretensiosa e bem-pensante.

      Talvez as coisas mudem entretanto, mas para já continuo a duvidar de que queiram a escola futurista para os filhos deles…

      Gostar

  2. O projeto “No child left behind” foi implementado nos EUA em 2002 pela direita republicana e a sua mentora, uns anos depois, veio a público manifestar o seu próprio fiasco. Para além de não os conseguirem aturar, parece que ninguém aprendia, dizem.

    Gostar

    • Pois, essa é a origem do conceito, que apesar do fracasso na execução acabou por ser adoptado por outros países e quadrantes ideológicos. No fundo, é o princípio em que se fundamenta o que entre nós tem sido designado por escola inclusiva.

      O ponto em que a bota deixa de rimar com a perdigota é quando os mentores da escola que espera pelos retardatários querem para os seus próprios filhos uma escola que os leve mais para a frente.

      Gostar

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.