Educação inclusiva… a distância!…

Educação à distância para alunos com necessidades especiais: eis talvez o maior dos problemas suscitados pelo recurso generalizado ao ensino a distância.

A equacionar-se o regresso precoce à escola de algum grupo de alunos, estes deveriam ser prioritários: os que necessitam em absoluto de ensino individualizado ou pequeno grupo, terapia da fala, apoio psicológico e outros. Aqueles que não têm autonomia para estudar sozinhos em casa; os que dependem de estímulos constantes e interacções sociais e afectivas para o desenvolvimento de competências cognitivas e emocionais.

Com tanta retórica ouvida nos últimos anos em torno da inclusão, seria de esperar que estes alunos estivessem na primeira linha da prioridades e preocupações ministeriais. Mas não: pouco ou nada tendo para lhes oferecer, o ME faz o seu número habitual de dar “orientações” às escolas para que façam e aconteçam. O documento, publicado no site da DGE, é vago e omisso no essencial, que seria garantir a educação inclusiva mesmo em tempo de confinamento social. Em contrapartida, deixa um sério caderno de encargos ao cuidado das EMAEI…

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Subitamente, e numa chocante inversão de prioridades, parece que só os alunos que têm exames finais no horizonte são dignos dos esforços ministeriais no sentido de garantir que aprendem alguma coisa e de que essas aprendizagens serão efectivamente avaliadas. Paradoxalmente, estamos a falar dos alunos que à partida melhor se poderiam desenrascar sozinhos: porque são mais velhos e porque se encontram na via de ensino mais orientada para o prosseguimento de estudos. De repente, parece que voltámos aos tempos de Nuno Crato: só os exames contam e todos os recursos devem ser mobilizados – no limite, até mesmo a saúde pública pode ser posta em risco – para os “salvar”…

2 thoughts on “Educação inclusiva… a distância!…

  1. Estamos absolutamente de acordo, mas convenhamos que, não obstante o muito que se melhorou nos últimos anos, estes alunos sempre foram um dos parentes pobres do ensino.

    E vamos ser ainda mais honestos: por diversas razões, grande parte dos professores dão-lhes o 3 ou o 10/11, porque assim sabem que ninguém os «chateia». O futuro que os espera é problema deles, alunos.

    Repare: o Costa, acompanhado de uma múmia ao seu lado direito, colocou o país a falar de exames todo o bendito dia, como se não houvesse questões mais relevantes na atualidade. A bem dizer, os nossos representantes e o representante dos pais (tudo isto entre muitas aspas) vieram congratular-se com tudo o que o PM hoje disse. Fazer o quê? Manda quem pode, obedece quem deve.

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  2. No meio de uma crise de pandemia e económica, de mortes e desemprego à vista, temos os “inteligentes” e os lobbies da educação com esta obsessão por ….exames!!!!!
    Ai, benzós Deus!

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