Leituras: Tecnologia e Felicidade

inteligencia-art.gifInterrogo-me muitas vezes se o progresso tecnológico exponencial criará uma felicidade humana exponencial, para além de 1% de criadores, proprietários e detentores de lucros dessas geniais máquinas miraculosas. Será uma meta virtuosa construir uma máquina humana perfeita, liberta de todas as suas imperfeições e ineficiências, para que possamos finalmente tornar-nos deuses, o que quer que isso signifique?

Não sei o que pensa quem me lê, mas não é um mundo que eu gostasse de ajudar a construir. Propor esse caminho é como brincar com o nosso futuro e condenar, à partida, o futuro dos nossos filhos e das gerações vindouras.

A felicidade não pode ser programada em máquinas, automatizada ou vendida. Não pode ser copiada, codificada ou aprendida a partir de um conjunto de dados. Deve emanar e crescer dentro de nós e entre nós, e a tecnologia está aqui para nos ajudar, como ferramenta. Somos uma espécie que usa tecnologia, não uma espécie destinada a ser tecnologia.

Finalmente, reflicta sobre isto: na língua inglesa, a própria palavra felicidade provém da palavra viquingue para sorte, happ. Isto relaciona-se igualmente com a noção de casualidade ou acaso. Os apologistas da tecnologia podem professar que estão a libertar as nossas vidas do lado negativo do acaso, que todos sabemos ser incalculável, desde a doença à pobreza, até à própria morte. No entanto, ao fazê-lo, poderão estar a alterar sistematicamente a capacidade do ser humano de experienciar níveis mais profundos de felicidade que não dependem de circunstâncias mensuráveis.

Sim, por favor, usemos as ferramentas que a tecnologia nos oferece para eliminar os perigos e os riscos de sermos humanos no planeta Terra. Mas não, não nos tornemos ferramentas das nossas ferramentas, trocando a nossa consciência mercurial e o nosso livre-arbítrio por um monte de bugigangas e emoções fáceis como nativos inocentes de um Novo Mundo.

Gerd Leonhard, Tecnologia Versus Humanidade (2017).

One thought on “Leituras: Tecnologia e Felicidade

  1. Sinceramente, já estou ligeiramente farta desta conversa sobre a felicidade. E, já agora, sobre a conversa da tecnologia.

    Aliar a tecnologia à felicidade e vice-versa faz um pleno ” jeitoso”, pelo que vamos vendo e vivendo, ao contrário do que se dizia há umas décadas.

    A felicidade consiste em momentos muito diminutos no tempo, como , por exemplo, o saudar um novo ano ao som e às cores de um fogo de artifício. Em Sidney programa-se e executa-se um maravilhoso fogo de artifício pela chegada de 2020. A tecnologia e a felicidade mais uma vez juntas. E a Austrália continua a arder em grande e em força, devastando fauna, flora e vidas humanas.

    Em Jacarta o mesmo cenário, agora com cheias. Será que houve tecnologia e fogo de artifício para um pouco de felicidade?

    Após tanta felicidade, sabe-se que um drone mata uma alta patente de um país do médio oriente. Quem deu a ordem brinca às tecnologias e sente-se feliz, infantilmente feliz.

    E ficamos à espera do que virá a seguir a toda esta geopolítica vergonhosa e perigosa, como quem assiste a torneios de ténis com cabeça e olhos a olharem para um lado e para o outro…toc….toc…..toc…..

    Raramente se olha para trás ou para a frente não vá ficarmos menos felizes.

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