STOP contra o assédio moral de professores

stop-assedio.jpgProfessores acusam a direção da Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, de assédio moral. O diretor contrapõe e fala em terrorismo profissional. Esta tarde, três professores e um sindicalista empunharam uma faixa frente ao estabelecimento de ensino onde se lia “fim ao assédio. Um por todos e todos por um”. Pedro Cardoso, professor há 33 anos, é um dos professores que se queixa de discriminação e diz que tal acontece desde que há seis anos apresentou uma lista ao Conselho Geral.

“Desde que formalizamos essas listas que nos sentimos perseguidos pelo facto de termos horários diferentes dos outros colegas, turmas mais difíceis e problemáticas, também o espaço das aulas são diferentes porque há professores que têm tardes livres para corrigir testes e nós não”, exemplifica o professor de português, um dos seis que apresentou uma queixa por assédio moral à Inspeção-Geral de Educação. […]

O diretor da Escola, Adelino Azevedo Pinto, rejeita as críticas e anunciou que a queixa foi arquivada, contrapondo com outras que alunos e encarregados de educação têm contra os professores em questão. […]

“Os pais queixam-se destes professores que não dão a matéria, que têm atitudes menos corretas dentro das salas de aulas. Tive, inclusivemente, uma aluna que mudou de escola. Temos episódios caricatos, onde próprio presidente da Associação de Pais ofereceu um espelho ao um dos professores para ele ver a figura que e estava a fazer. Um deles, o caso até chegou ao ministro da Educação, atraveu-se num ano a marcar 110 faltas disciplinar”, contou.

Por muito que o director afirme o contrário e tente assumir ele próprio o papel de vítima de “terrorismo”, a verdade é que as queixas de assédio moral parecem fazer sentido. Mesmo sem conhecer todos os pormenores, qualquer professor experiente reconhece no caso relatado características típicas de bullying: os alvos são uma pequena minoria, que é castigada ou ofendida por alguém que abusa da sua posição de força, perante a cumplicidade, o medo ou a indiferença dos restantes. A forma como expõe publicamente os professores, tentando desmoralizar e humilhar os visados, é também típica de um bully em acção. O esboço de defesa deste director, que rapidamente passa a contra-ataque com golpes baixos, é a melhor evidência de que a acusação é pertinente.

Pela prática de muitas escolas, sabemos que atribuir deliberadamente um mau horário aos professores “desalinhados” continua a ser, infelizmente, uma tentação a que alguns directores, mais habituados a dominar pelo servilismo e pelo medo do que a exercer, pela motivação e o exemplo, uma verdadeira liderança, não conseguem resistir. Mesmo sabendo que dessa forma estão a prejudica, não apenas os docentes em causa, mas também a comprometer a qualidade do seu trabalho e, dessa forma, a prejudicar os próprios alunos destes professores.

Numa atitude lamentável, o director procura desacreditar publicamente professores da sua escola, pondo em causa a sua competência e profissionalismo e trazendo para a discussão pública matérias que deveria resolver internamente e sobre as quais teria de guardar sigilo profissional. Claro que o faz, deve dizer-se, porque sabe que nestas situações a regra é o ME encorajar a prepotência das “lideranças fortes” em vez de defender os direitos dos professores. Que para todos os efeitos continuam a ser funcionários do ME e não servos do senhor director.

 

4 thoughts on “STOP contra o assédio moral de professores

  1. Agora imagine-se se a arbitrariedade fôr em frente e se forem as escolas e presidentes de câmara a escolher os seus (“seus”) professores, com aquele argumento que se encaixam no perfil requerido da dita escola…….

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  2. Como concordo com o exposto…numa escola que se luta contra o bullying na criança, vivemos exatamente em oposto com os adultos.
    Como é fácil inverter o sofrimento do professor que sofreu, sofre e sofrerá por querer ser diferente…
    Basta ter erros banais, estar só, ter inexperiência, que tudo é fator para que assim seja fácil de ocorrer esta situação.
    Eu pessoalmente vivo nesta situação… E que fazer… Calar-me, fazer silêncio, Afastar-me por amor aos meus filhos…

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    • É verdade, o bullying profissional, aquilo que em termos legais se define como assédio moral, é relativamente comum nas escolas portuguesas e é potenciado pelo actual modelo de gestão. Seja por acção, seja muitas vezes por omissão, há muitas formas de quem manda fazer a vida negra a professores “indesejados”.

      Perante isto, é preciso que os professores se unam, que percebam que o que acontece hoje a um colega lhes pode amanhã suceder a eles, que recorram aos sindicatos quando se sentirem isolados, enfim, que façam valer os seus direitos.

      Quando um director, como este de Viseu, vem para a comunicação social achincalhar os profissionais da sua escola, quando tomam decisões deliberadamente orientadas para prejudicar determinada pessoa, quando permitem que um professor ou funcionário seja maltratado por alunos ou pais, os seus actos podem ser criminalizados.

      Claro que toda a gente evita ir para tribunal, mas se recorrêssemos mais vezes à justiça perante abusos e prepotências de alguns directores, estou convencido que os professores seriam mais respeitados por quem já se esqueceu de que também o é…

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      • A fim de concluir…
        A legislação não é fácil de aplicar, pois no Brasil é nos EUA e existe lei exclusiva…
        A nomeação de director e outros cargos devem estar em função da democracia ou da constituição, isto é, eleição universal…por toda a comunidade escolar.

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