Marcelo não vai a Alcântara

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O presidente da República saudou a breve passagem por Portugal da ativista ambiental Greta Thunberg, mas não irá cumprimentá-la à Doca de Alcântara, em Lisboa, por considerar que poderia “ser considerado aproveitamento político”.

À margem de uma visita à sede nacional do Banco Alimentar Contra a Fome, na reta final da campanha de recolha de alimentos deste fim de semana, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre a passagem por Portugal da ativista sueca, que deverá chegar a Lisboa na manhã de terça-feira, antes de viajar para Madrid para participar na cimeira sobre as Alterações Climáticas (COP25).

Instado se tenciona ir cumprimentar pessoalmente Greta Thunberg, cujo veleiro irá atracar na Doca de Alcântara, onde dará uma conferência de imprensa, o chefe de Estado admitiu ter hesitado, mas decidido não o fazer. “Pensei duas vezes, estar a misturar podia ser considerado um aproveitamento político por mim de uma realidade mais ampla e mais vasta e acho que não tenho esse direito”, justificou.

Percebo as hesitações de Marcelo, mas parece-me que o calculismo do presidente não radica unicamente no eventual “aproveitamento político” do evento.

De facto, e nem de propósito, ao visitar a banqueira do Banco Alimentar, Marcelo tomou, como já fez noutras ocasiões, um claro partido pela caridade institucionalizada que tem vindo a conquistar terreno entre nós, activamente promovida por forças sociais e políticas conservadoras que preferem alimentar os pobrezinhos em vez de erradicar a pobreza. Aqui não houve pruridos com eventuais aproveitamentos, para fins políticos, de uma iniciativa presidencial.

No caso da visita de Greta Thunberg, e pesem embora as reservas que se podem levantar ao excesso de mediatismo da adolescente, lançada à arena mediática para que outros, convenientemente, se escondam, há uma realidade evidente: suscitando entusiasmos entre os cada vez mais numerosos adeptos das causas ambientais e climáticas, o activismo de Greta desperta também ódios e discórdias entre uma parte significativa do eleitorado natural de Marcelo Rebelo de Sousa nas próximas presidenciais.

O mais certo é que o gesto de Marcelo, em vez da alegada abnegação do político que não se quer “aproveitar” do mediatismo da activista sueca, traduza apenas, isso sim, o calculismo do político que não quer desagradar à sua base de apoio…

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