É com a educação que se combate a corrupção?

corrupcaoA longo prazo, a Educação pode ajudar, não só no combate à corrupção mas também a formar melhores cidadãos, a criar uma economia mais próspera e a tornar a sociedade mais justa.

Contudo, tanto no presente como no futuro previsível, não vamos lá com injecções de ética nem prelecções sobre cidadania. A melhor pedagogia continua a ser a do exemplo, e um combate eficaz à corrupção só será possível quando criarmos leis e tribunais capazes de, em tempo útil, colocar os corruptos na cadeia. A pagarem pelos crimes que cometeram e a servirem de dissuasores para outros potenciais criminosos de colarinho branco.

Empurrar para as escolas e os professores a responsabilidade que pertence aos políticos que elegemos é a forma de continuar a adiar os problemas, tornando ainda mais obesos e disfuncionais os currículos já sobrecarregados de ganga eduquesa. E é, acima de tudo, profundamente injusto: estamos a fazer as crianças e jovens pagar pelos erros e crimes das gerações que os antecederam, como a corrupção fosse uma espécie de pecado original a erradicar, em vez de se castigar quem efectivamente prevaricou. Como muito bem é explicado neste artigo…

Esta estratégia de silêncio e a teoria progressista da educação têm como consequência a normalização da corrupção. Pior que tudo: fomentam um determinismo profundamente insultuoso ao defenderem a ideia de que de que a corrupção faz parte do quotidiano. Como se a corrupção fosse endémica (que não é) e os cidadãos que não corrompem nem se deixam corromper fossem uns palermas por não fazerem o mesmo que os corruptos.

No contexto de uma democracia, em que a comunidade delegou nos seus representantes políticos a tomada de decisões em seu nome, o crime de corrupção é o pior que pode ser imputado a titulares de cargos públicos. Porque representa uma traição tão profunda na confiança que o eleitor depositou no eleito que acaba por abalar os alicerces da democracia. Isto para não falar de todos os custos financeiros e económicos, além da manipulação das regras de funcionamento do mercado, que está a associada à corrupção e a outros crimes económico-financeiros.

Sejamos claros: combater a corrupção exclusivamente através da educação é a mesma coisa que utilizar uma fisga com bolas de papel para tentar lutar com um leão. É por isso que a corrupção tem de ser combatida de forma vigorosa e estrutural através de todos os instrumentos legais ao dispor do Estado, como Santos Pereira propõe. Pensar e agir de forma diferente é promover a descredibilização da democracia.

O sistema judicial que mandou prender Armando Vara e Duarte Lima, que deteve preventivamente e que já acusou José Sócrates e Ricardo Salgado, além de Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, não fomentou qualquer populismo. Pelo contrário: reforçou a credibilidade da democracia e o princípio da igualdade de todos perante a lei.

Esse é o caminho que tem de continuar a ser trilhado.

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