E quando as famílias não querem a inclusão?

inclTrês escolas particulares de ensino especial em Lisboa alegam que o Estado lhes deve mais de 500 mil euros, comprometendo o acompanhamento de 284 alunos que lhes foram encaminhados pelo próprio Estado por falta de respostas nas escolas públicas.

As escolas visadas são o Colégio Bola de Neve, o Externato Alfred Binet e o Colégio Eduardo Claparède, com os quais o Estado contratualizou uma cooperação para que crianças e jovens com necessidades educativas especiais pudessem ser devidamente acompanhados, perante a ausência de respostas nas escolas públicas.

À Lusa, os diretores dos três estabelecimentos de ensino queixaram-se do atraso por parte do Estado do pagamento de mensalidades de setembro, outubro e novembro, que os deixou a braços com salários por pagar a funcionários e dívidas a fornecedores.

A atitude recorrente do ME, pagando tarde e a más horas às escolas privadas, não tem justificação possível. De nada adianta a desculpa esfarrapada da falta de visto do Tribunal de Contas. Se o ano lectivo começa em Setembro, não é em Novembro que têm de tratar dos pagamentos. Estão em causa salários de professores, técnicos e funcionários, alguns dos quais já em atraso, bem como despesas de funcionamento das quais depende a qualidade da oferta educativa.

Percebe-se que cause desconforto a algumas almas que, no reino da inclusão decretada pelo “54”, subsistam aldeias gaulesas que resistem ao modelo uniformizador da escola inclusiva. E se ainda há poucos dias o papa da inclusão escrevia, preto no branco, que os únicos recursos educativos de que as crianças com necessidades especiais necessitam são os que se destinam à inclusão, então, por essa lógica, poderá fazer sentido a tentação de deixar definhar, à míngua de recursos, as escolas exclusivas para alunos “especiais”.

Sejam intuitos maquiavélicos que motivam este tratamento discriminatório das escolas de educação especial, seja a simples incompetência de gestão ou, talvez o mais provável, o efeito das cativações do ronaldo das finanças, a verdade é que as escolas em causa têm contratos com o Estado. Se acham estes contratos dispendiosos e acham que todas aquelas crianças estariam muito bem em regime inclusivo, então faria sentido que o assumissem publicamente, em vez de sujeitarem as instituições que fazem o seu trabalho a viver numa lenta mas permanente asfixia financeira, que a prazo poderá forçar o seu desaparecimento.

Claro que uma coisa é arengar os professores sobre os benefícios da inclusão. Outra, bem diferente, é convencer disso os pais e a opinião pública. Seriam precisas convicções profundas e coragem política da parte dos governantes. Nem uma nem a outra abundam, como bem sabemos, neste ministério e neste governo.

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