Colaborações: ComRegras – Avaliação da Semana

 O debate simplista sobre as retenções

Começou no Parlamento e propagou-se pelos media a discussão simplista entre o facilitismo de quem quer acabar com as retenções, porque serão sempre prejudiciais para os alunos, e quem aponta o efeito pernicioso de uma medida que permitirá aos alunos passarem de ano sem terem aprendido…

 A má autonomia

Entrevistado pela Lusa, o ministro da Educação tirou mais um coelho dessa cartola sem fundo que é a autonomia das escolas: anunciou que, futuramente, os directores poderiam gerir o tamanho das turmas de acordo com a realidade de cada escola. Uma notícia aparentemente boa, e que vem ao encontro de uma velha reivindicação de alguns dirigentes escolares…

 O mau exemplo do professor do ano

Esteve mal Rui Correia, o professor escolhido pela Fundação Varkey como modelo de excelência dos professores portugueses, no Prós e Contras da RTP1. O debate era sobre a violência escolar. Mas o docente do ano, instado a falar sobre o tema, apenas pairou sobre ele, mostrando-se um professor superior que “nunca mandou um aluno para a rua” e que supera todos os problemas de indisciplina e violência escolar…

3 thoughts on “Colaborações: ComRegras – Avaliação da Semana

  1. Um dos aspectos que mais me desconcerta nesta cacofonia pseudo-educativa à volta dos chumbos, autonomias da treta e quejandos, é que de repente, “não mais que de repente”, toda a gente se sente encartada para atirar bitaites sobre educação. Todos os comentadores de serviço, todos os dirigentes ou não, todo o Zé povo, todos os especialistas de salão, todos os treinadores de bancada, etc, todos, mesmo todos acham que sabem bem do que falam, todos conhecem um caso, “porque já a minha mãe” não sei quantos, todos afirmam a pés juntos saber as soluções, todos se convencem e querem convencer os outros de que conhecem bem o assunto e acreditam nisso como se verdade fosse. Ora temos de colocar um basta nessa algaraviada tonta e bem exemplificativa do pacóvio espírito luso e afirmar claramente que não é definitivamente assim. Se há alguém que sabe do assunto são os professores. São eles que estão no terreno todos os dias a tentar aguentar o barco que a tutela se esforça por sabotar. E, no entanto, essa classe profissional é todos os dias desconsiderada e manietada pela tutela, pelos media, pelos autarcas, e tantos outros que procuram desprover os docentes de todas as ferramentas que lhes permitiram levar a bom porto a sua missão. E vou mais longe, reconhecendo que em Portugal praticamente não existe investigação em educação. Os poucos e pontuais trabalhos nesse sentido são desconexos, circunscritos, pouco abrangentes e em geral não têm sequência, o que significa que quem vier a seguir tem de recomeçar do zero. Querem realmente saber quais são os reais e graves problemas do ensino? Perguntem aos professores, vão às escolas informar-se, consultem os sindicatos. Pode ser que aprendam alguma coisa, sabe-se lá.

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    • “E vou mais longe, reconhecendo que em Portugal praticamente não existe investigação em educação.”

      Daí que só existam aqueles livros fininhos de há não sei quantos anos, reeditáveis, “poucos e pontuais”, “desconexos, circunscritos, pouco abrangentes”, como refere o José M. Oliveira.

      Tanto mestrado e doutoramento em Ciências da Educação para se chegar à conclusão que não existe Investigação em Educação.

      A confusão é tanta, as camadas acrescentadas por cima de outras são tantas, as visões são tantas, as paixões foram tantas que pegar nisto tudo e desmontar isto tudo de forma simples e inteligível é uma tarefa de Sísifo.

      Fica-se pela espuma das vagas. Daí que todos falem sobre educação e sobre os aspectos mais “circunscritos” e mediáticos.

      Ninguém, em Portugal, percebe esta gigantesca máquina criada, uma verdadeira Armada Espanhola pesada e pouco funcional.

      Ouvimos jornalistas e comentadores a falar em “liceus” e “escola primária”, avançam-se com recordações pessoais dos seus tempos de alunos e tiram-se ilações sem pés nem cabeça.

      Os políticos vão pelo mesmo caminho. Nenhum vai ao cerne da questão.O que varia é a posição ideológica.

      Restam os professores no terreno e, mesmo assim, tenho algumas dúvidas. Muitos calam-se e implementam. Quem resiste, não é ouvido ou é penalizado.

      A maioria das direções escolares transformam-se em testas de ferro das políticas educativas (?!). Algumas conseguem mesmo ultrapassar as ordens e fazerem ainda mais.

      Pais e encarregados de educação aplaudem mas não sabem.

      Os alunos ainda confiam nos seus professores que tentam manobrar a coisa e não deixar entrar o pânico.

      Alguns sindicatos vão fazendo o que podem para informar e mobilizar, mas neste contexto entrópico e kafkiano já ninguém se entende e já ninguém quer ser informado e mobilizado.

      E volta-se à questão inicial: Quem tem coragem e independência para embarcar numa séria investigação em educação?

      É que já se faz tarde há muito tempo.

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    • Inteiramente de acordo, deve haver poucos países onde a teoria e a investigação nas chamadas “ciências da educação” sejam tão pobres e, ao mesmo tempo, se desconsidere tanto o conhecimento e o parecer dos professores no terreno.

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