“Um gesto horrível que só eu vi”

valter-hugo-mae-1-l.jpgUm professor ainda jovem, tímido e algo frágil, foi surpreendido por um aluno escondido atrás de uma porta que o esmurrou sumariamente. Não é fácil de explicar mas, quando seguia ao meu lado, ouviu o seu nome à passagem, inclinou o rosto para o vão entre a porta e a parede, e só eu, por um ínfimo e inesperado instante, vi o punho voando e ouvi a ameaça clara do miúdo: fodo-lhe o focinho.

Valter Hugo Mãe parte de um episódio que fugazmente presenciou, em visita a uma escola, para oportunamente discorrer sobre a violência escolar. E explica-nos o que, fazendo uso de alguma inteligência, empatia e bom senso, deveria ser óbvio para toda a gente:

  • O desrespeito aos professores traduz a degeneração da escola e, por conseguinte, da principal instituição a que confiamos a formação das novas gerações;
  • Quando a sociedade não consegue garantir um ambiente educativo são está a abdicar da luta por um futuro melhor, abandonando a juventude à ignorância e ao egoísmo;
  • Políticas educativas inconsequentes têm colocado em causa a dignidade da profissão docente e, ainda pior, criado o clima de aparente aceitação da humilhação e da violência sobre os professores.

Valter Hugo Mãe conclui a breve crónica no JN com as palavras sábias e inspiradas que dirigiu ao professor agredido…

Dediquei o livro assim: peço-lhe que não tenha dúvida, é um dos meus heróis. Não é pelo medo que falhamos. É pela falta de coragem. Como conversámos, não está em causa desistir. Nem dos alunos, nem do futuro. Mas isso implica começar por não desistir dos professores.

One thought on ““Um gesto horrível que só eu vi”

  1. Quem – em primeira instância – deve ser confrontado com esta e outras mazelas que minam o sistema educativo é o senhor ministro Tiago Brandão.Para que tome uma posição. Independentemente dos méritos (ou deméritos) que exiba para ocupar tão importante pasta.

    Já o escrevi algures : habitualmente lançamos o opróbrio sobre uma entidade mais ou menos abstracta – “o Ministério” – ou, pior, sobre uma obscura criatura de segunda linha – “o SE “- sabendo-se que o pobre é “amandado” para a frente de combate com a estratégica missão de proteger o responsável máximo – que é, neste caso, o Ministro ( Tiago Brandão, de seu nome)

    Senhor Ministro da Educação Tiago Brandão : já teve tempo mais que suficiente para se inteirar dos problemas que afectam a Escola (leia os jornais e ouça as avalizadas críticas ou opiniões) ; já deverá ter a suficiente maturidade para agir em conformidade com o cargo que exerce, mesmo admitindo que os problemas não são resolúveis no imediato; apareça e diga de sua justiça, caramba!

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