É para si, dr. António Costa

antonio-costaGoste-se mais ou menos do estilo, há que reconhecer que as prosas de Santana Castilho sobre o estado da Educação portuguesa são sempre eloquentes e incisivas. Ao contrário da grande maioria dos pedagogos do regime, que oscilam entre a cumplicidade com os decisores políticos e o discurso redondo, pretensamente crítico, mas, na prática, inconsequente, o cronista regular do Público consegue captar como poucos o que se sente e vive diariamente nas escolas portuguesas.

Ignorando o inútil ministro instalado no ME, Santana Castilho acerta em cheio, e marca pontos, ao dirigir-se directamente ao verdadeiro responsável pelo pântano em que se está a afundar a escola portuguesa. A ler na íntegra na edição de hoje do Público.

Sem rodriguinhos e medindo o que digo, é para si, dr. António Costa, que falo, que o ministro Tiago é tão-só seu mordomo. O dr. António Costa é um dos grandes responsáveis pela sucessão de políticas que têm reduzido os professores a simples funcionários, cada vez mais desautorizados e despromovidos socialmente. Um dos grandes responsáveis por, farisaicamente e de modo cruel e perverso, pôr a sociedade e a opinião pública contra os professores: para lhes retirar o direito à greve; para lhes retirar força salarial; para lhes roubar o tempo de trabalho cumprido. É duro o que lhe digo? Repito-lho na cara se quiser, sem seguranças de permeio, para ver se se domina, como o desgraçado professor da D. Leonor não se dominou.

O seráfico paternalismo com que os ideólogos a quem deu rédeas querem que os professores ensinem quem não quer aprender ou integrem quem não quer ser integrado tem de ser denunciado. Com efeito, é fácil medalhar os líricos que decidiram a “inclusão” universal. Mas é impossível, sem meios nem recursos (materiais e humanos), lidar, dia-a-dia, na sala de aula, com jovens com perturbações mentais sérias, descompensados por imposições pedagógicas criminosas.

O problema, dr. António Costa, é a natureza das políticas, que fizeram entrar o ensino em decadência. O problema é que o dr. António Costa afaga banqueiros e juízes sem perceber que morre lentamente uma sociedade que não acarinha os seus professores.

4 thoughts on “É para si, dr. António Costa

  1. Goste-se ou não do estilo (e não só) este artigo está muito bom e, como dizia a minha avó: “em tempos difíceis, tudo o que vem à rede é peixe”.

    Talvez não dedicasse o artigo ao dr. António Costa , que de Educação deve perceber tanto como eu de canalizações ou engenharia aero-espacial, mas sim áquela trupe de outdated mestrandos de Boston e seus putativos seguidores que re-editam livrinhos às resmas, dão conferências, palestras e mandam outros dar formação, espalhar a Ideia e a outros dar medalhas de mérito.

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  2. Certeiro, incisivo e justo.
    Revejo-me completamente na crítica expressa.
    Muitos parabéns a S. Castilho e ao António Duarte, que se completam na denúncia do actual quadro negro.

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