Matemática: 24 medidas para melhorar aprendizagens

gtmO Grupo de Trabalho de Matemática produziu um extenso relatório intitulado Recomendações para a melhoria das aprendizagens dos alunos em Matemática onde se analisa exaustivamente, em quase 300 páginas, a evolução recente e o actual ponto da situação relativamente à disciplina de Matemática.

Colocado em consulta pública por 90 dias – pareceres podem ser enviados para o e-mail dsdc@dge.mec.pt  – a eventual aplicação das sugestões da equipa de trabalho caberá já ao próximo ME.

Embora muito do que ali se escreva não seja novo ou original – andamos há demasiado tempo a repetir os mesmos erros e a adiar o que todos sabem que precisa de ser feito – o documento apresenta dados, ideias e reflexões interessantes, que se destacam mesmo numa leitura em diagonal. Por agora destaco apenas, entre as 24 medidas apresentadas, algumas propostas que me parecem especialmente pertinentes e importantes.

A elaboração urgente de um currículo de Matemática para todos os ciclos de escolaridade (do 1.º Ciclo do Ensino Básico até ao final do Ensino Secundário). Este currículo deverá substituir todos os Programas de Matemática, em particular o Programa e as Metas Curriculares em vigor, bem como as Orientações de Gestão Curricular e as Aprendizagens Essenciais que deles decorreram, eliminando a profusão de documentos curriculares nacionais díspares, que atualmente coexistem dirigidos ao ensino da Matemática.

A diferenciação pedagógica no ensino da Matemática deverá não só dirigir-se a alunos com dificuldades, como àqueles que estão em condições de aprofundarem as suas aprendizagens.

O currículo de Matemática para o Ensino Básico deve ser coerente, garantindo a articulação vertical ao longo dos três ciclos, em todos os domínios de conteúdo a ser considerados.

O currículo de Matemática do Ensino Secundário deve ser composto por um núcleo comum que defina o que é essencial na formação matemática à saída do ensino obrigatório, a ser frequentado por todos os alunos. Deve também prever núcleos complementares, que respondam às diferentes necessidades de formação matemática específica relativa a percursos diferenciados no prosseguimento de estudos.

O desenvolvimento curricular nas escolas deve ser apoiado por condições diversas indispensáveis quando se pretende a implementação de um novo currículo. Estas condições devem garantir:

  • A possibilidade efetiva de realização de trabalho colaborativo entre professores (tempo e horários) dirigido à elaboração dos documentos curriculares locais de Matemática, à preparação de aulas, à partilha e reflexão sobre experiências de ensino e práticas de avaliação;
  • Existência de um trabalho de coadjuvação em algumas aulas de Matemática, favorecendo a realização de práticas de ensino compatíveis com a aprendizagem matemática pretendida, a articulação vertical entre professores de diferentes ciclos e a partilha entre professores com formações distintas; […]

Deve ser reforçado o investimento na formação inicial de professores que ensinam Matemática antes que as carências que se preveem criem uma situação de perturbação das escolas e sistema educativo. Este investimento deve considerar medidas que sensibilizem a sociedade para a atratividade da profissão, não só com a possibilidade de empregabilidade mas, sobretudo, com a valorização social da profissão.

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