Porque há professores a abandonar a profissão?

Há cada vez mais professores experientes e qualificados, que entraram para a profissão por gosto e vocação, mas acabam por desistir precocemente do ensino, desencantados com o quotidiano das escolas e as condições em que exercem a profissão.

Entre nós, este fenómeno não alcança o peso que tem noutros países: a realidade da profissão docente está muito polarizada entre, por um lado, jovens professores que não conseguem aceder à profissão ou que leccionam de forma ocasional e precária; por outro lado, docentes mais velhos que continuam a dar aulas porque o mercado laboral não lhes apresenta outras alternativas. Mas é apenas uma questão de tempo até que se manifeste, também por cá, uma tendência que parece universalizar-se.

Numa época em que a docência se tornou uma profissão pouco atractiva, em que o chamado “mal-estar docente” alastra como doença contagiosa nos mais diversos sistemas educativos, é importante tentar perceber o que se passa. Conhecer as razões que levam tantos professores, por esse mundo fora, a desistir da profissão que escolheram é um passo indispensável para entender quais são as verdadeiras reformas de que carecemos para podermos ter melhores escolas e melhor educação.

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Leia-se então o testemunho de Jessica Gentry, uma professora dos EUA que, ao fim de 12 anos dedicados ao ensino, decidiu abandonar a escola. E sublinhe-se a ideia que me parece fundamental: não foram as crianças que mudaram com o advento do mundo digital. O que mudou foi a sociedade e a relação parental. Não estamos a proteger eficazmente as crianças do impacto dessas mudanças. Em vez disso, preferimos colocar na escola e nos professores a pressão e a culpa por tudo o que não está a correr bem.

“Deixem-me que vos diga porque é que aqueles que adoram ensinar estão a abandonar a profissão como se tivessem  o cabelo a arder”, começa por dizer, enumerando depois as cinco principais razões que a incentivaram: crianças que se portam mal por falta de envolvimento parental;  o investimento das escolas em novas tecnologias em detrimento de uma aposta nas relações pessoais; a exigência de mais formação para professores; pais que agem contra os professores ao invés de apoiá-los; e a sua saúde mental e física.

A docente confessa que não foi uma decisão fácil e que teve de ir aos Recursos Humanos duas vezes até finalmente conseguir ‘virar costas’ a uma forma de ensino que não se coaduna com a sua forma de pensar.

“A velha desculpa de que as crianças mudaram. Não, não. As crianças são crianças. Os PAIS mudaram. A SOCIEDADE mudou. Estas crianças são apenas vítimas disso”, afirma.

2 thoughts on “Porque há professores a abandonar a profissão?

  1. Como temos andado atrasados uns 10, 15 anos, a tendência vai ser mesmo esta.

    Os Ingleses viram-se na necessidade de apelar a professores europeus, e não só, para aulas de ciências, matemática, FQ, EF, etc.

    Por cá, não sei bem o que vai acontecer…..ou arranjam algo de muito “criativo” a nível de um novo ECD ou importam das europas e PALOPs. Nenhuma das alternativas me parece risonha.

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  2. Há uns anos teria ficado ansiosa; hoje em dia, nem por isso.

    Vem isto a propósito de ter sabido que as planificações têm de ser alteradas para albergarem as AP (aprendizagens essenciais) que, por sua vez, terão de ter por base o PA (perfil do aluno à saída) e acho que os programas das diferentes áreas disciplinares (sei lá….)

    A avaliação formativa (e holística) bate recordes , os critérios de correcção são por descritores de níveis de desempenho, as actividades (para operacionalização/implementação das ditas – e já não sei se estes 2 termos ainda estão ” in”) das tais de AE e PA são O ” must”, assim como as ACPA (área de competências do perfil dos alunos), com aquelas letras todas do A ao J se não estou em erro.
    A Plataforma Inovar vai à vida e/ou terá de ser totalmente alterada.

    Fazer tudo isto Agora e Já, enfim há quem diga que será para já só em relação ao 1º período, pelo que se fica mais calmo/a.

    As reacções são variadas quando se levanta esta nova coisa:

    – ai é?
    – nem me fales nisso!;
    – não sei de nada;
    – aquilo é fácil;
    – é só copy e paste;

    Fico-me pela minha frase preferida: “Na dúvida, mantém o charme” e pela expressão facial que consiste naquele ligeiro sorrir que dá para várias alturas da vida, desde o funeral do bisavô ao primeiro emprego mal pago e a recibos verdes do filho/a, ao fim de quase 6 meses a enviar CV e ir a entrevistas.

    No transporte solta-se um enorme sequência de palavrões.

    Ó minha gente, quando é que intervalam e se calam?

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