Uma justificação mal amanhada

marcelo-nogueiraAssinale-se, em primeiro lugar, um ponto positivo. Marcelo Rebelo de Sousa foi publicamente criticado no final do congresso da Fenprof por desvalorizar, fazendo uma graçola, a reivindicação dos 9 anos, 4 meses e 2 dias descontados à carreira dos professores. E acusou o toque, sentindo a necessidade de se justificar e de tentar apagar a má imagem que ficou da resposta infeliz que deu aos professores em Portalegre.

A parte negativa da reacção de Marcelo é a incapacidade de esboçar sequer um mea culpa. Seguindo uma linha argumentativa muito comum à classe política quando se refere ou dirige aos professores, Marcelo acha que não fez nem disse nada de mais, os visados é que perceberam mal ou distorceram intencionalmente as inocentes e bem intencionadas palavras do Presidente.

Numa coisa, pelo menos, o Presidente tem razão: não vale a pena, e os professores certamente não o desejam, empolar o que aconteceu, muito menos fazer da Presidência um alvo da luta político-sindical. Mas que o sucedido fica registado para memória futura, certamente que sim.

Da parte de Marcelo, em vez de justificações “mal amanhadas”, seria certamente muito mais apreciado um simples pedido de desculpas. Que seria o mais natural se fosse capaz de reconhecer que não foi feliz na forma como se dirigiu aos professores em Portalegre. Ou ao deixar sem resposta o convite para comparecer no congresso da principal federação de professores. Claro que, para isso, conviria que estivesse arrependido…

Marcelo Rebelo de Sousa considerou neste domingo incompreensíveis as críticas da federação dos professores, que o acusou de não ser Presidente de todos os portugueses, alegando que a história contada pelos sindicalistas do “9.4.2” é “mal-amanhada”.

O Presidente da República advertiu que, “por definição”, não “entra em guerra com nenhuma classe profissional, menos ainda com a dos professores”, porque “é professor”, em resposta às críticas do secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, no sábado, no final do congresso dos sindicatos.

[…]

O que Mário Nogueira disse que se passou em 9 de Junho é “uma história muito mal contada, como diz o povo, mal-amanhada”. Marcelo Rebelo de Sousa disse ter falado com dirigentes sindicais antes de uma inauguração, em Portalegre, um “encontro cordial”, que “acabou com uma “selfie” tirada por uma sindicalista” e em que lhe foi perguntado “se não esquece quais sãos os anos, os meses e os dias” de contagem da carreira dos professores.

Ao que respondeu que sim, relatou, e que disse compreender que “a luta continua” por parte dos professores, na próxima legislatura, por esta reivindicação.

Passada uma hora, finda a inauguração, acenaram-lhe de longe e os mesmos dirigentes perguntaram se não esquecia os números, ao que respondeu que não: “Mais complicado é esquecer números de telefone e eu lembro-me”, disse na altura.

“Transformar isso numa guerra é uma coisa que não tem o mínimo sentido”, concluiu o Presidente da República, lembrando ter sido criticado por outras classes profissionais por receber os professores no meio de um processo legislativo, como foi o do tempo de contagem de carreira dos docentes.

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