As Europeias de 2019 em Portugal

No rescaldo da noite eleitoral das Europeias 2019, algumas breves notas, circunscritas para já à realidade nacional.

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Com quase 70% de eleitores que não foram votar, a abstenção continua a ser a grande vencedora destas eleições. Preocupante, sobretudo se tomarmos em conta que surge em contra-ciclo com a tendência europeia, que registou nestas eleições um aumento da participação eleitoral. Concordo que esta não é das eleições mais mobilizadoras, mas a verdade é que a democracia não se faz sem eleitores. E é um risco darmos como definitivamente adquiridos o respeito dos direitos humanos, a paz, a democracia, o Estado social e a Europa sem fronteiras e não nos empenharmos na sua defesa. A construção europeia tem ainda muitas falhas e insuficiências, mas teríamos demasiado a perder se voltássemos a uma Europa de nacionalismos e isolacionismos de que já muito poucos têm lembrança.

Em número de votos e mandatos, o PS é um claro vencedor, e a vitória socialista, numa fase do ciclo político em que se esperaria alguma penalização do partido no poder e com um tão fraco cabeça de lista tem um significado evidente: já ganhou, destacado, as legislativas de Outubro. Longe da maioria absoluta, certamente, mas bastante à-vontade para negociar, em condições mais vantajosas, a próxima geringonça governativa.

Quanto à direita, mostrou-se incapaz de recuperar votos e confiança dos eleitores. O CDS quase desaparece do mapa e a relevância política do PSD ficará reduzida, nos próximos anos, à condição de muleta do PS.

À esquerda, uma transferência de votos da CDU para o BE destaca este partido como terceira força política e, aparentemente penaliza o PCP. Pelo apoio envergonhado a algumas “políticas de direita” do governo PS, ou pela falta de empenhamento no projecto europeu que o partido sempre criticou?…

Entre os pequenos partidos, o PAN foi o único que conseguiu eleger um eurodeputado. Apesar de geralmente subestimado pelos media, a verdade é que este partido se posiciona numa área política onde existe um enorme potencial de crescimento – a da ecologia, do ambientalismo e dos direitos dos animais. Um espaço insuficientemente preenchido pelo PEV, um partido muito subordinado à estratégia política do PCP.

Quanto aos pequenos partidos, notou-se uma vez mais que nem a dimensão do nosso sistema eleitoral, nem o grau de mobilização do eleitorado, são favoráveis à afirmação de novos projectos políticos, ainda que construídos em torno de um líder supostamente popular, carismático ou especialmente bem preparado. Nem Santana Lopes, Marinho Pinto, Paulo Morais ou Rui Tavares se aproximaram sequer do objectivo de se fazerem eleger para o Parlamento Europeu. Os “mais pequenos” eram demasiados e a dispersão de votos, em vez de dar expressão eleitoral ao voto de protesto, terá certamente ajudado o PS, e eventualmente até o PSD, a elegerem mais um ou dois deputados do que aqueles que lhes caberiam, tendo em conta os votos que recolheram…

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