Escolas e amianto: unidos para sempre?

Mudam os governos, sucedem-se as legislaturas. No ME, todos querem deixar uma marca da sua passagem, seja mexendo nos programas ou nos currículos, seja pondo e tirando exames, disciplinas, metas, competências, perfis ou objectivos. Mesmo que as mudanças sejam apenas para iludir o eleitor ou OCDE ver, ninguém passa sem mudar algo, desde que previamente garantindo que o que mais interessa – o subfinanciamento do sistema, os mega-agrupamentos, a gestão centralista – continua na mesma.

Há, no entanto, uma reforma indispensável às escolas que deveria ser prioritária – ou melhor, que já deveria estar feita há mais de uma década – e que continua eternamente adiada. Uma pesada herança que sucessivos governos não se envergonham de deixar aos seus sucessores. Estou a referir-me às placas com amianto que continuam a cobrir boa parte dos telhados e dos telheiros de muitas escolas básicas e secundárias espalhadas pelo país. Um material comprovadamente cancerígeno que, à medida que as chapas de fibrocimento que o contêm se degradam, se torna perigoso para a comunidade escolar, podendo mesmo ser causa de doenças degenerativas.

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Quantas são as escolas afectadas? Aparentemente, ninguém sabe. E quem manda nestas coisas, percebe-se, até prefere nada saber. Nem sequer um inventário rigoroso da situação está feito, o que torna ainda mais difícil definir prazos, responsabilidades e prioridades de actuação.

Ao longo dos anos, sucessivos apelos de autarquias, sindicatos e associações de pais para que o ME para que leve a sério este problema e trate, de uma vez por todas, de o resolver, não têm alcançado mais do que vagas promessas. Agora, cansados de esperar, pais e professores de escolas de Loures tentam uma via diferente: a intervenção da Provedora de Justiça. Será que resulta?…

Quatro agrupamentos de escolas do concelho de Loures vão fazer queixa do Ministério da Educação à Provedora de Justiça.

Pais e professores exigem a retirada de amianto das escolas, um material considerado cancerígeno pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que está presente nas coberturas dos estabelecimentos há mais de três décadas.

À Renascença, André Julião, encarregado de educação, acusa o Governo de inércia. “As direções destas escolas e das respetivas associações de pais e encarregados de educação já tentaram pressionar o Ministério da Educação de várias formas, quer através de reuniões, quer através de solicitações de obras de fundo e nada foi conseguido até agora”.

Como sinal de descontentamento, esta quinta-feira, às 11h30, representantes das direções dos agrupamentos e associações de pais das escolas entregam uma reclamação formal diretamente na Provedoria de Justiça.

“Aquilo que nós pretendemos é um calendário devidamente estruturado e planeado com intervenções profundas nestas escolas e em todas as outras do concelho que permitam a retirada deste fibrocimento e a sua substituição por materiais que não sejam prejudiciais para a saúde”, explica André Julião.

Pais e professores garantem que em causa estão escolas com mais de 30 a 35 anos que nunca terão sofrido obras estruturais.

São mais de oito mil os alunos que frequentam os quatro agrupamentos de escolas do concelho de Loures.

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