Todos contra os professores

pacheco-pereira…há uma desvalorização do papel do professor, de ensinar, de transmitir um saber. Vem num pacote sinistro que inclui o falso igualitarismo nas redes sociais, o ataque à hierarquia do saber, o desprezo pelo conhecimento profissional resultado de muito trabalho a favor de frases avulsas, com erros e asneiras, sem sequer se conhecer aquilo de que se fala. É o que leva Trump a dizer que se combatia o incêndio de Notre Dame com aviões tanques atirando toneladas de água, cujo resultado seria derrubar o que veio a escapar, paredes, vitrais, obras de arte. É destas “bocas” que pululam nas redes sociais que nasce também a hostilidade aos professores. É o ascenso da nova ignorância arrogante, um sinal muito preocupante para o nosso futuro.

A última e excelente crónica de José Pacheco Pereira no Público analisa a visível hostilidade contra os professores que, a pretexto da luta pela recuperação do tempo de serviço, se levantou. JPP nota como esta campanha, intensamente alimentada pela comunicação social, se inscreve numa evolução muito negativa que a nossa sociedade está a experimentar.

A ofensiva contra os professores é, antes de mais, o ataque ao capital de saber e da capacidade de o transmitir que os professores representam. Depois, acompanha a tendência muito pós-moderna da inveja social, de ver todos os que lutam colectivamente pelos seus direitos como inimigos a abater. Sejam professores ou camionistas, enfermeiros ou estivadores, enquanto houver um miserável conformado com a sua situação, não se acha legitimidade nas lutas dos “privilegiados”.

O exemplo inspirador que as lutas sociais tiveram no passado está hoje fora de moda. A ideia é: não quero que os outros tenham mais do que eu, mas não me disponho a lutar para conseguir para mim o que eles reivindicam. A satisfação colectiva com a derrota dos professores tem o seu contraponto nas indignações que por aí andam com o anúncio dos 1400 euros mensais que os camionistas de materiais perigosos irão auferir.

JPP reconhece que os professores enfrentam desafios sérios e têm, nos nossos dias, uma das profissões mais difíceis. Mesmo assim, exorta-os a resistir: ler e estudar mais, claro, mas também olhar com maior severidade para as modas do “deslumbramento pedagógico”. Não posso concordar mais: é pelo reforço do espírito crítico e da cultura profissional que nos podemos diferenciar dos novos ignorantes que pululam por aí…

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