Cordão humano contra a violência escolar

cordaovaladares2Cerca de 70 pessoas fizeram hoje um cordão humano em Vila Nova de Gaia em protesto pela agressão quarta-feira a uma professora da Escola Básica nº 2 de Campolinho, alertando também para a falta de segurança.

Analisando os pormenores desta agressão cobarde e hedionda à professora da escola de Campolinho nota-se, com alguma clareza, um padrão típico destas situações: uma família desestruturada, uma criança de sete anos que não gosta das aulas e que, provavelmente, inventa e relata em casa supostos maus tratos ou agressões na sala de aula.

Juntem-se a isto a facilidade com que se acede ao interior de uma escola, o sentimento de impunidade induzido pela brandura das leis e a ineficácia da justiça e a desconsideração pública a que os professores são remetidos por parte de quem os tutela e que deveriam ser os primeiros a respeitar e valorizar a classe, e temos, em certas escolas, as condições propícias a que, quando menos se espera, surjam estes incidentes.

Neste caso, há que saudar a pronta manifestação de solidariedade e denúncia pública promovida pelos colegas desta docente e, pela negativa, a forma como o ME continua, não só a desvalorizar toda a problemática da segurança escolar, como a deixar entregues a si próprios os professores vítimas de agressões.

“A menina apenas se recusava a querer trabalhar na escola, chorava e não queria vir para as aulas. No recreio estava muito bem, mas quando tocava não queria voltar para a sala”, argumentou Manuela Castro [coordenadora da escola], admitindo que a aluna pudesse não se sentir “motivada” para aprender, salientando que esta está no segundo ano na escola e que “até agora teve um comportamento normal”.

Argumentando que os “problemas começaram há duas semanas”, disse que a aluna começou a “a queixar-se de que lhe doía a barriga”, atribuindo-o “talvez devido à ansiedade” de ter de estar na sala de aula.

“A professora nunca foi violenta com ela nem com ninguém”, garantiu a coordenadora admitindo pertencer a aluna a uma “família desestruturada” que de “imediato pediu a transferência para outro agrupamento”.

Apesar de “já ter havido alguns antecedentes na escola”, a agressão, segundo o encarregado de educação Alfredo Pinto “não era fácil de adivinhar”, elogiando até, a forma “rigorosa” como a professora dava as aulas.

Afirmando não conhecer os agressores, mostrou-se “indignado” pelo ato ter ocorrido “diante dos filhos”, testemunhando a esposa, Elisabete Martins, que os gémeos “estavam em estado de choque” e que “tiveram dificuldade em adormecer”.

O rol de críticas estendeu-se “à falta de segurança” numa escola em que “qualquer encarregado de educação pode entrar”, ainda que neste caso “conste que a funcionária foi empurrada”, referiu Elisabete Martins.

Da parte do Sindicato de Professores do Norte (SPN), a presidente Manuela Mendonça, acusou “as campanhas públicas contra os professores, como no recente processo de recuperação de anos de serviço, de criarem um clima que põe em causa a sua imagem e debilita a sua autoridade”.

“Não temos dúvidas que há responsabilidade de todos quantos injustamente atacam os professores porque estão a pôr em causa a sua autoridade”, acrescentou a sindicalista, exigindo que os “agressores sejam exemplarmente punidos”.

4 thoughts on “Cordão humano contra a violência escolar

  1. Como pode um ministro da educação ignorar estes casos, especialmente após uma campanha tão agressiva como a que foi feita, e continua a ser feita, contra os professores?

    Não seria altura de se dizerem umas palavras, mesmo se fossem “politicamente correctas”?

    O futuro de quem atiça tudo e todos contra os professores não é lindo.

    What goes around comes around, dizem na terra de S.Magestade.

    Por cá dizemos – Quem semeia ventos colhe tempestades.

    E isto dos provérbios populares têm muito que se lhe diga.

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  2. Essa escola irá contratar algum familiar dos membros do Governo para Segurança?
    É que se o segurança for do PS.. já se sabe que “quem se mete com o PS leva” Contratem
    um, dois seguranças com o cartão do PS e nenhum pai ou mãe voltam a entrar nas escolas
    para agredirem professoras ou professores.
    Querem ver que o Bolsonaro e o Trump é que têm razão?
    Será que vamos andar armados nas escolas?

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  3. Acho que o ME falha vergonhosamente nestas situações e não vejo da parte dos responsáveis a menor noção do que seria a sua obrigação.

    Afinal de contas, estes casos sucedem porque os profissionais cumprem zelosamente o seu dever profissional e as orientações superiores, procurando dar o seu melhor ao serviço das crianças que têm a seu cargo.

    Se esta professora, perante a menina que gosta de estar no recreio mas detesta ter de ir para a sala de aula, simplesmente não a contrariasse, estaria a proceder bem? Aparentemente sim. O professor cumpridor é o que tem chatices, perante o lavar de mãos dos responsáveis, que entendem estar o caso resolvido com a participação às autoridades.

    Num caso destes, o ME deveria disponibilizar, gratuitamente todo o apoio médico e psicológico de que o docente necessitasse. E mais: deveria de imediato processar os agressores, constituindo-se como assistente do processo a abrir pelo ministério público. Penso que é a obrigação de qualquer empregador perante ofensas a um funcionário sofridas no exercício de funções. Mas esta é uma cultura que tarda em ser assumida pela nossa administração pública.

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