A luta continua… mas sem greves

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Os sindicatos de professores decidiram não avançar com uma greve às avaliações do 3.º período, optando por acções de visibilidade nas ruas, já na campanha para as europeias, e acções em tribunal, entre outras.

“A luta aconselha neste momento a não desgastar os professores com acções que se arrastam no tempo sem ter um interlocutor válido à vista”, justificou o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, lembrando que as legislativas se realizam já em Outubro e que a decisão do Parlamento nesta legislatura já foi tomada, com o chumbo das pretensões dos professores na semana passada. Foi o culminar que Nogueira classificou como uma das “mais tristes cenas da política portuguesa”, consubstanciada a 3 de Maio pelo anúncio de António Costa de que se demitiria caso a contagem integral do tempo de serviço dos professores fosse aprovada pelo Parlamento e que levou todos os outros partidos a mudar de posição. 

Parece-me sensata a posição da plataforma sindical de professores: com a decisão do Parlamento em manter inalterado o decreto do Governo que consagra a recuperação parcial do tempo de serviço, novas greves de professores não fariam qualquer sentido.

De facto, do lado de quem manda, os professores não têm ninguém com quem negociar ou capaz de decidir alguma coisa diferente do que já se encontra legislado. Entre eles, o sentimento dominante é de descrença e desilusão. O tempo é de reflexão, não só para os professores mas também para os dirigentes sindicais que os representam.

Por outro lado, se o agendamento de alguns comícios ou uma presença visível nas campanhas eleitorais podem ser importantes para marcar presença na agenda mediática, parece-me que a curto prazo haverá outra frente ainda mais importante: accionar judicialmente o ME nas numerosas situações de atropelo e ultrapassagens resultantes das regras impostas pelo ministério. Nomeadamente, nos reposicionamentos e nas recuperações de tempo de serviço.

Sobre esta última, acrescente-se que a solução “mitigada” que o Governo encontrou continua a não dar resposta a um número elevado de professores que, apesar da idade e do tempo de serviço, continuam estagnados nos escalões iniciais da carreira. Quanto aos mais velhos, as condições criadas, se não os penalizam tanto em termos financeiros, tornam especialmente penoso o seu final de carreira, sobretudo quando a doença ou o cansaço se manifestam. Para os jovens, a docência é vista como uma profissão a evitar – a começar pelos próprios filhos dos professores…

Mais tarde ou mais cedo, e apesar de a Educação e os professores continuarem distantes das prioridades políticas, alguém terá de dar atenção a problemas que, com o passar do tempo, só se irão agravar…

6 thoughts on “A luta continua… mas sem greves

  1. Se o António e a F não considerassem positiva esta produção da Plataforma seria o verdadeiro caso para estranhar.

    Antes que se ponham já aos pulinhos, só quero perguntar: o que se ganhou de significativo, desde Maria de Lurdes, com a ação da Plataforma?

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    • Respondo com toda a frontalidade: quase nada. Desde o socratismo que a luta sindical dos professores deixou de funcionar na lógica de alcançar conquistas e passou a ser sobretudo contenção de danos.

      O porquê de ser assim é uma questão complexa, que não passa apenas, seguramente, pelas insuficiências dos sindicatos ou dos seus dirigentes.

      Nesta perspectiva, o mais correcto não é perguntar o que ganhámos, mas o mais que ainda poderíamos ter perdido se não resistíssemos.

      No resto, tento ser realista e constato o que me parece ser óbvio. Ainda assim, há um pormenor que me parece criticável: a reacção inicial de ameaçar com greves a avaliações, exames, um final de ano atribulado e o diabo a quatro. Se não havia intenção nem condições objectivas para o fazer, era escusada a ameaça…

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      • Ou perguntar o que poderíamos ter ganhado com outra gente a liderar o sindicalismo. Esta é que é a questão.

        Goste ou não, António Duarte, a Plataforma cravou uma faca nas nossas costas várias vezes… 2008 é a grande facada, da qual, logo se disse, nunca iríamos recuperar.

        Mário Nogueira tem a vidinha feita, mas também tem consciência de que é desprezado pela generalidade da opinião pública e dos próprios professores, que não o suportam. O sindicalismo na Educação sofreu um recuo enorme com a ação de Nogueira.

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        • Essa é uma ideia muito popular na blogosfera docente e nos grupos de professores nas redes sociais mas, sinceramente, não me convence.

          Era fácil se isto fosse como sucede às vezes no futebol, a equipa acumula maus resultados, substitui-se o treinador e, quase que por milagre, as vitórias voltam a aparecer. Mas não é…

          Se o Mário Nogueira é mau, porque não surgem outros líderes a partir dos outros sindicatos? Repare que não contesto a necessidade de renovação, a todos os níveis, do sindicalismo docente. Apenas acho que é uma ilusão pensarmos que isso resolve os profundos problemas da classe docente e que nos podemos remeter à passividade, esperando que os sindicatos resolvam.

          Digo-lhe mais. Acompanhei com grande interesse o aparecimento do STOP. Pensei: está aqui um sindicato que quer fazer diferente e que vai de encontro às expectativas de muitos professores que não se revêem nos sindicatos que temos. Mas agora pergunto: quantos sindicalizados terá neste momento o STOP? De entre os muitos que saudaram o seu nascimento, quantos se chegaram à frente para pagar quotas, participar nas acções, fazerem-se eleger delegados sindicais nas escolas? Parece que muito poucos. Mas o sindicalismo vive destas coisas. Não podemos querer sindicatos assim e assado e esperar que eles surjam do nada ou que as coisas se façam sozinhas.

          A alternativa é rejeitar por completo os sindicatos, como já há quem faça, e esperar passivamente pelas migalhas que o governo de turno nos queira dar…

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          • Eu era sindicalizado e rompi com o meu sindicato o ano passado. Só ganhei, pois são umas xentenas de euros que não me saíram do bolso.

            O resto é mais do mesmo: Nogueira não é nem quer ser professor. É um finório.

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