Professor brasileiro, alvo a abater

julio-cesar-barroso.jpgUm professor foi morto na tarde desta terça-feira após levar dois tiros de um estudante dentro de uma escola em Valparaíso de Goiás, a 35 km de Brasília. O adolescente, de 17 anos, já foi identificado, mas está foragido. A vítima é Júlio César Barroso de Sousa, 41, que também atuava como coordenador de turno do colégio.

A história conta-se em poucas palavras e serve para assinalar, no Dia do Trabalhador, a insegurança com que muitos docentes exercem quotidianamente a sua profissão: no turno da manhã, o aluno de uma escola brasileira insultou e ofendeu uma professora. O coordenador da escola interveio: suspendeu-o, mandando-o sair da escola e avisando-o de que chamaria a polícia se voltasse. À tarde, o jovem regressou com uma arma de fogo, que usou para matar o professor.

Quando o próprio ministro da Educação diz, a quem o quer ouvir, que “os comunistas merecem levar bala na cabeça”, percebe-se que, para os políticos actualmente instalados no poder, combater a perpetuação desta cultura de violência e morte que é potenciada pelo acesso fácil às armas está longe de ser uma preocupação. Pelo contrário, vêem-na até como solução para diversos problemas, reais ou imaginários.

No Brasil, como em quase todo o mundo, tenta-se fazer da escola, e não das ruas, dos locais de trabalho ou das prisões, o espaço privilegiado de integração de todos os marginalizados, incluindo reais ou potenciais delinquentes. Mas sem dotar as escolas dos recursos necessários para lidar com a diversidade e com a complexidade dos problemas, os conflitos tornam-se inevitáveis. Obrigados a assumir uma autoridade que nem sempre têm condições para impor, os professores tornam-se, facilmente, um alvo a abater. A docência transforma-se, assim, numa profissão de alto risco. Como a tragédia de ontem infelizmente demonstrou.

Sabem por isso a muito pouco os lamentos das autoridades, mesmo quando garantem que têm “feito todos os esforços no sentido de contribuir para a cultura da paz”. Depois de consumado o crime, a comunidade escolar verá reforçados os meios – psicólogos, assistentes sociais, vigilantes – que seriam importantes, acima de tudo, se pudessem ser aplicados na prevenção destas tragédias.

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