Com trissomia 21 no ensino superior

tr21.JPGHá uma experiência interessante e inovadora a decorrer no Politécnico de Santarém: um curso superior em literacias digitais destinado exclusivamente a alunos portadores de deficiência.

O curso é de curta duração – dois anos lectivos, sem conferir grau de licenciatura – e o acesso é feito através das vias habituais nestas formações, que dispensam as formalidades exigidas para ingresso nas licenciaturas e mestrados integrados.

Para os jovens envolvidos, o desafio é grande, mas a superação das dificuldades insuflará certamente a sua auto-estima e, espera-se, poderá abrir-lhes perspectivas no mercado de trabalho. Na verdade, a criação de ambientes escolares cada vez mais inclusivos e o alargamento da escolaridade obrigatória têm fornecido um porto seguro aos jovens portadores de deficiência física ou mental. Mas, a partir dos 18 anos, a falta de respostas educativas e de saídas profissionais é um problema crescente.

Está agora muito em moda tecer loas à escola inclusiva. Mas a verdade é que se a própria sociedade não promover activamente a inclusão, a todos os níveis, de pouco servirão os esforços que as escolas e os professores são diariamente exortados a fazer.

Felicidade. É o sentimento que alunos, pais e professores mais evocam quando falam do que têm vivido desde que, em Outubro passado, a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém abriu uma formação destinada a estudantes com trissomia 21, uma experiência que o ministro do Ensino Superior desafia os outros politécnicos a seguir.

É um curso de dois anos de Literacia Digital para o Mercado de Trabalho, que não confere um grau académico mas prepara os seus alunos para terem um emprego no futuro. “É o sonho de todos os que têm filhos”, testemunha a mãe de uma das alunas do curso, que nesta terça-feira foram mostrar ao ministro Manuel Heitor o que já aprenderam em quase dois semestres do curso.

Este “sonho” de ter filhos a trabalhar é particularmente difícil de concretizar para quem é pai de alguém com síndroma de Down. Como também é o de lhes garantir o acesso ao ensino superior. Por isso, a emoção trespassou muitos dos curtos testemunhos apresentados pelas mães que acompanharam os filhos ao ministério da Ciência e do Ensino Superior, onde também deram conta do aumento da auto-estima que têm visto neles desde que a aventura de Santarém começou.

4 thoughts on “Com trissomia 21 no ensino superior

  1. Original e enternecedora iniciativa . Porém, chamar-lhe “curso superior” parece-me excessivamente bondoso, mesmo descontando o óbvio relativismo ditado pelo contexto. Não vá alguma alma, sabendo-se que hoje vale tudo, fazer uma leitura literal…

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  2. Há uma atitude de realismo e bom senso que deve sempre prevalecer. Devemos fomentar a auto-estima e a valorização pessoal destes jovens. Todos temos a ganhar se em vez da política do coitadinho e do mero assistencialismo formos capazes de ajudar os jovens portadores de deficiências a desenvolver as suas capacidades e a encontrarem formas de se tornarem adultos tanto quanto possível autónomos e realizados.

    Agora também não devemos cair no discurso irresponsável, mas tão comum nos dias de hoje, do “podes ser o que quiseres”…

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  3. Plenamente de acordo, caro A. Duarte. Louvo iniciativas deste teor. A única “objecção” (dispensável) que- com as devidas ressalvas – coloquei, prende-se com a designação “curso superior”.
    O facto de ser ministrado numa escola de ensino superior pode – para os menos avisados – levantar algum equívoco. Só e apenas por isso.

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    • Mas repare, cara colega, que nem nisso estes jovens estão a ser favorecidos. Porque há alunos “regulares” que entram para os politécnicos exactamente pelo mesmo regime e para o mesmo tipo de cursos, sem precisar dos exames do 12º ano nem passar pelo concurso nacional. São os cursos técnicos superiores profissionais que já existem há uns anos, embora com fraca procura. Porque, lá está, não conferem grau académico…

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