Pretensas greves em torno de causas tendencialmente consensuais, como a de ontem contra as alterações climáticas, ou a da semana passada em defesa da igualdade de género e dos direitos das mulheres, sendo iniciativas respeitáveis, têm um risco: contribuem para veicular uma ideia errada do que é efectivamente uma greve e para descredibilizar o exercício de um direito fundamental dos trabalhadores.
Na verdade, perante o genuíno entusiasmo e as sinceras convicções dos jovens unidos na defesa do planeta há um contraste que, subliminarmente, se pode projectar: reparem como a nova geração se une numa greve global por uma causa comum e universal, ao contrário dos malandros dos trabalhadores, que lutam apenas pelos seus interesses egoístas e corporativos…

Estas greves, simpáticas para os governos porque não trazem consigo exigências concretas, nem têm um destinatário óbvio, nem comprometem sequer os próprios manifestantes a viver em consonância com os princípios que defendem, acabam por ser protestos simbólicos e, quase sempre, inconsequentes. Apesar do indiscutível mediatismo e do agitar de algumas consciências, tendem a cair rapidamente no esquecimento.
E há um sinal claro de que a iniciativa que ontem decorreu foi uma greve “boa”, que não incomodou os governos, nem os patrões, nem outros poderes instituídos: ninguém veio reclamar de mais uma greve marcada à sexta-feira…
“Greve” não será a melhor palavra. Manifestação/campanha, seriam mais adequadas.
Sinceramente, não vejo qualquer descredibilização do exercício de um direito fundamental dos trabalhadores – a greve pelos seus direitos laborais.
Se é uma “greve boa” para os poderes instituídos? Talvez.
Mas, e se muitos destes jovens ficarem realmente motivados para aprofundarem a questão?
E se, nessa busca, chegarem ao âmago do problema? E se se interessarem pelas opções políticas que conduzem aos problemas do meio ambiente? E se relacionarem tudo o que está em jogo?
Será que se continuará a achar isto simpático?
Claro que já tivemos e temos grandes campanhas que chamaram e chamam a atenção para estas questões. O resultado não tem tido grandes consequências concretas, é verdade.
Há décadas e décadas que nos países do norte da Europa, muita coisa se reverteu a nível de estilos de vida mais amigos do ambiente.
Hoje, somos confrontados com as opções do governo de Donald Trump, de Jair Bolsonaro e tantos outros governos no sentido de se negarem consequências e de se avançar no aprofundamento dessas consequências há muito provadas nefastas.
E se o ressurgimento destas manifestações encabeçadas por jovens surtir mais um pico de efeito nas consciências globais?
E se tudo se interligar com os direitos laborais e a sustentabilidade de recursos entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos?
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Quero ser optimista, e nessa perspectiva tenho de concordar com este ponto de vista.
Escrevi este post a pensar, não tanto nos promotores e participantes da iniciativa, mas nos aproveitamentos oportunistas da mesma.
Claro que o ideal é que a luta por um futuro melhor seja intergeracional e articule as questões ambientais com as económicas.
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“Botswana quer legalizar caça de elefantes pondo em risco o maior santuário de África”
“As florestas, povos e clima da Amazónia brasileira estão sob ameaça caso o Congresso aprove projetos que, segundo a organização ambiental Greenpeace, são apoiados pelo Presidente eleito do Brasil Jair Bolsonaro.”
“O abandono norte-americano do Acordo de Paris é mais fácil de compreender se for visto como uma peça clássica do teatro político de Trump. O presidente afirmou que queria sair do Acordo de Paris porque este destruiria empregos na região do carvão e nas fábricas americanas.”
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Masturbação mental por aqui!?
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Antes da Juliana chegar, não era.
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