Ministério da Procrastinação

procrastinar.pngÀ excepção da inclusão e da flexibilidade, duas bandeiras da actual política educativa que estão longe de corresponder aos reais problemas e aos verdadeiros desafios que hoje se colocam à Educação portuguesa, em quase tudo o resto a ordem tem sido… adiar.

No caso concreto a que se refere a notícia do DN, a insuficiência crónica de assistentes operacionais é um problema que se manifesta num número significativo de escolas desde o início do ano lectivo. Mas o ME, que já inúmeras vezes declarou o problema prestes a ser resolvido, continua a arrastar e atrasar os procedimentos necessários.

A pouco mais de três meses do fim das aulas, há sérias e fundadas dúvidas de que os profissionais em falta nas escolas possam ainda ser colocados em tempo útil. Mas talvez já estejam todos nos seus postos em Setembro, em vésperas de eleições…

“Ainda temos muito ano letivo pela frente, queremos que as escolas abram os concursos o mais rapidamente possível.” Anunciado desta forma há duas semanas pelo ministro da Educação, que atribuiu urgência ao processo, o concurso para contratação de mais mil auxiliares para as escolas ainda não arrancou no terreno. Quem o garante é o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), que hoje apresenta um inquérito respondido por cerca de 200 agrupamentos do país que mostra que 10% dos assistentes operacionais estão de baixa.

Se há duas semanas Filinto Lima até admitia receber funcionários ainda durante o terceiro período, que arranca a 23 de abril, agora acredita que os 1067 assistentes operacionais prometidos só estarão nas escolas no início do próximo ano letivo, em setembro. “Não se sabe de nada. O governo fez essa promessa, mas até agora as escolas ainda não receberam informação”, e é por elas que tem de passar o processo.

“E ainda estou para perceber se estes mil funcionários de que fala o governo são apenas regularizações de situações de trabalhadores que já estão nas escolas ou se estamos a falar de mais mil assistentes. Ainda ninguém nos explicou nada”, critica Manuel António Pereira, presidente de outra associação de diretores – a Associação Nacional de Diretores Escolares -, que confirma que os concursos ainda não arrancaram no terreno.

Procrastinar, como agora se diz, tornou-se uma táctica comum deste Governo, sempre que está em causa fazer alguma coisa cuja necessidade ou urgência não se podem negar, mas que implica gastar dinheiro. Assume-se a preocupação, declara-se que se vai estudar o problema, apresenta-se a solução e anunciam-se as medidas que irão ser tomadas. Mas depois o tempo passa e nada fica resolvido. Vão-se empurrando para a frente os problemas ao mesmo tempo que se cativam as verbas que estariam destinadas à sua resolução. Maquilham-se as contas públicas e emagrece-se o défice, mas a verdade é que não se faz o que deveria ser feito. Induz-se uma degradação lenta da qualidade dos serviços, aumenta-se o stress profissional dos que permanecem em funções. É uma ilusão pensar que esta pode ser uma receita sustentável a longo prazo.

One thought on “Ministério da Procrastinação

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.