O conhecimento na palma da mão

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Cada vez mais pessoas acreditam que a Terra é plana. A culpa é de um vídeo no YouTube

Nunca como no século XXI o conhecimento científico se tornou tão acessível, com a quantidade de vídeos, mapas e literatura disponíveis online. Também nunca fizemos o nosso quotidiano depender tanto da tecnologia como sucede nos dias de hoje. Ninguém duvida dos prodígios da ciência e da engenharia quando se trata de viajar de automóvel ou de avião, de usar computador ou telemóvel, de recorrer a tecnologias como as redes sem fios ou o GPS. O que leva então um número crescente de pessoas a acreditar que as vacinas provocam autismo, que os americanos nunca foram à Lua ou que a Terra é, afinal, um disco achatado?

O que move as pessoas a contestar a ideia da esfericidade da Terra, que surgiu há mais de dois mil anos na Grécia Antiga e se tornou consensualmente aceite desde o Renascimento, com as viagens marítimas à descoberta do mundo feitas nesse tempo por navegadores portugueses e espanhóis a demonstrarem, categoricamente, a esfericidade da Terra?

Parece evidente a fragilidade do conhecimento científico e do pensamento crítico que hoje tanto se valoriza: afinal, basta afirmar convictamente umas aldrabices, gravar com elas um vídeo de produção cuidada e divulgá-lo através do Youtube: rapidamente se arranjam “seguidores” para a ideia mais espatafúrdia que se consiga inventar.

Quanto à universidade norte-americana que constatou a popularidade da crença na Terra plana parece ela própria prisioneira da lógica que denunciou. Segundo os investigadores, o remédio para os vídeos anti-científicos está em fazer novos vídeos, desta feita com os cientistas a divulgar o verdadeiro conhecimento científico acerca desta matéria. Uma ideia que o Youtube certamente agradece…

Pela minha parte, em vez da competição pelos cliques e likes que é sugerida, julgo que seria mais importante capacitar as pessoas a fazerem um uso mais crítico e selectivo do imenso manancial da informação que têm ao seu dispor. Em vez do relativismo com que se pretende equiparar todos os saberes, é importante reafirmar as diferenças entre factos e opiniões e entre o conhecimento cientificamente estruturado e as balelas que se pretendem fazer passar por ciência. Entre sites de referência que divulgam informação credível e rigorosa e plataformas onde qualquer um pode publicar o que entender.

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