Plano europeu contra as notícias falsas

eight_col_01-header-truth-and-lies.gifPara grandes males, grandes remédios. O poder da informação falsa e tendenciosa, dos factos alternativos e dos perfis falsos nas redes sociais está a corroer a democracia, manipulando opiniões e intenções de voto de forma a forjar os resultados eleitorais que interessam a quem gere as centrais que produzem as fake news. A eleição de Trump e a vitória do Brexit são dois exemplos recentes de processos eleitorais que provavelmente teriam outro desfecho sem a influência da desinformação e da manipulação.

Por cá, prefere-se ignorar a dimensão do problema e apostar em formações da treta, atirando responsabilidades e chatices para as escolas e os professores, enquanto a aliança espúria entre partidos políticos e patrões dos media vai alimentando o plantio de notícias falsas. E o esquecimento das verdadeiras, quando tidas por inoportunas ou inconvenientes…

A União Europeia prepara-se para lançar um sistema de alerta rápido para detectar notícias falsas. Faz parte de um “Plano de Acção” global contra a desinformação que foi anunciado o ano passado.

Bruxelas explica que o projecto está assente numa “plataforma digital segura” e que as informações apresentadas virão de “fontes abertas” para impedir “tentativas coordenadas de agentes estrangeiros para manipular o debate.”

“O sistema estará pronto por volta de Março”, disse ao PÚBLICO a porta-voz da Comissão Europeia, Maja Kocijancic. “Ao conectar governos e especialistas através dos Estados-membros, [o sistema] vai-nos ajudar a apresentar uma resposta europeia aos desafios da desinformação.”

Está também a ser criada uma rede de verificadores de factos para a qual está previsto um financiamento inicial de 2,5 milhões de euros ao abrigo do Mecanismo Interligar a Europa (investimento para melhoria das redes de transporte, energia e digital). Haverá equipas para identificar em tempo real campanhas organizadas a partir do exterior.

3 thoughts on “Plano europeu contra as notícias falsas

  1. Estou convicto de que não terá havido ultimamente classe profissional mais lesada por notícias falsas do que os professores.
    E esse problema tem tido a sua génese no interior do actual governo, que as dissemina com a ajuda de uma comunicação social acrítica e ordinária, que não se esforça minimamente para as conferir com a realidade dos factos.
    Um governo displicente e injusto, que perante uma mesma realidade económica e similares situações laborais fez/faz diferenças inqualificáveis, terá depois necessidade de isolar socialmente os que nessas matérias o contestam, pintando-os como uns privilegiados, um bando de absentistas e super bem remunerados.
    Viu-se que a mentira passou rapidamente à categoria de estratégia política para tentar retirar razão aos que reclamavam/reclamam nada mais do que justiça, princípios, valores.
    Aqui em Portugal, no que a nós respeita, não precisam de formar qualquer tipo de equipa, pois as mentiras vêem de dentro, como se viu nos números falsos canalizados para a OCDE e plasmados depois naquele célebre relatório, nas notícias que ligavam os professores a falsos atestados médicos e desde há bastante tempo nos números martelados para a reposição do tempo de serviço dos professores, os 635 M€, que nenhuma figura governamental conseguiu até hoje fundamentar.
    Quando a mentira se identifica como um crime quando atinge a classe política em contexto de eleições, também terá de o ser quando visa maldosamente toda uma classe socioprofissional.
    O governo tem a percepção de que o crime compensa, pois de outro modo já teria mudado de atitude, mas como os benefícios que advêm dessa política são superiores aos eventuais prejuízos, continua a ser intransingente… e mal intencionado.
    Por mim cá o espero na curva das próximas eleições garantindo que tais posturas não serão gratuitas.

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  2. E as notícias manhosamente manipuladas nos media ditos de referência?
    Talvez sejam ainda mais danosas porque seguem uma agenda que a maioria dos destinatários nem é capaz de perceber.

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