OCDE recomenda a aposentação antecipada dos professores

professor-idosoFacilitar a aposentação voluntária dos professores mais velhos, abrindo ao mesmo tempo a profissão a docentes mais jovens e mais “flexíveis”: agora que até a OCDE aponta ao Governo aquilo que há muito é evidente, será que irão pensar seriamente no assunto?…

Para a OCDE, a aposentação voluntária e sem penalizações seria uma forma de oferecer um mecanismo “para que professores mais velhos pudessem abandonar uma carreira cognitiva e fisicamente desgastante de uma maneira digna”.

Por outro lado, o relatório aponta esta como uma solução que poderá também ajudar a diminuir o absentismo na profissão e as consequências negativas que isso leva para dentro das escolas. Outro aspeto positivo destacado pela OCDE é que, ao haver uma diminuição do corpo docente através de aposentações voluntárias, isso abriria vagas nas escolas que poderiam ser ocupadas por uma nova vaga de professores mais novos — e estes “poderiam receber formação de acordo com as prioridades nacionais”, de forma a modelar-se uma próxima geração de professores capaz de responder a essas metas.

A OCDE ressalva ainda que, com este movimento, há também ganhos orçamentais para o país, já que mudando o perfil etário da profissão docente substitui-se professores seniores com salários altos por docentes em início de carreira que têm, naturalmente, salários mais reduzidos.

Mas mexer nas regras da aposentação não basta. A OCDE refere dois outros fatores que têm de andar de mão dada com esta solução, caso ela fosse adotada pelo Governo português. Para captar professores mais novos, sugere que seriam necessárias mexidas nas tabelas salariais. A hipótese apontada era transferir os maiores aumentos salariais — aqueles que são alcançados por via da progressão na carreira — para os primeiros anos de profissão, tornando os aumentos subsequentes menores.

O relatório sobre os recursos escolares em Portugal, disponível no site da OCDE, analisa detalhadamente um vasto conjunto de problemas e desafios que enfrenta, no presente e num futuro próximo, a Educação portuguesa. Entre estes, o envelhecimento do corpo docente assume um lugar de destaque.

A verdade é que, se nada for feito entretanto, assistiremos daqui a uns dez anos, ou talvez ainda mais cedo, a uma saída em massa de profissionais docentes, sem que estejam a ser devidamente preparados os que os irão substituir. Os cursos de formação de professores deixaram de ser atractivos e os docentes que sairão das escolas superiores e das faculdades serão, em breve, insuficientes para substituir, em quantidade e em qualidade, os que se irão aposentando.

Isto induzirá um grave desequilíbrio na composição etária do corpo docente: entre os jovens inexperientes e os mais idosos à beira da reforma, irão faltar, nas escolas, professores com dez a quinze anos de serviço, uma fase crucial da carreira em que se adquiriu já experiência, maturidade e auto-confiança mas ainda não se perdeu a energia da juventude e se continua aberto a novos desafios. Esta é uma realidade à vista de todos, mas que talvez se torne mais compreensível agora, com a análise dos peritos da OCDE…

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5 thoughts on “OCDE recomenda a aposentação antecipada dos professores

  1. Por cá (e por outros lados) ainda não se sentaram a fazer as contas, uma vez que a preocupação principal é saberem se isto dá cabo do défice e da Segurança Social ou não.

    Falta de visão a todos os níveis.

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  2. Gostei daquela de os novos professores serem forma(ta)dos para as novas prioridades nacionais. Os velhos são mais resistentes e menos laváveis?

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  3. Relativamente a profissao desgastante, convem nao perder de vista, que tal acontece devido a degradacao geral do ambiente escolar em muitas escolas e nao a uma caracteristica intrinseca da profissao.

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  4. Caro nunosousa e restantes: do alto (ou baixo) dos meus 36 anos de serviço, na minha opinião, e sem qualquer sombra de dúvida, é intrínseco à profissão docente um elevado desgaste psicológico, e físico, até, que atinge uma dimensão insustentável com o avançar da idade. Poderá variar, pois não somos todos iguais, mas, na generalidade, é o que a experiência pessoal e de muitos outros colegas nos mostra.

    Reconheço, porém, que esse problema se tem agravado com o manifesto desinteresse de muitos alunos pelo conhecimento, pelo saber académico. Esse desinteresse, a rejeição do esforço e da resiliência das últimas gerações têm contribuído para o aumento da indisciplina em sala de aula, de tal modo que lecionar a determinadas turmas se torna um autêntico calvário. Salva-se talvez a Educação Física pelas razões que se conhecem.

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